Quadrilha levou R$ 60 mil de Ortigueira
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sábado, 11 de agosto de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Dois modelos básicos de carro novo ou um apartamento pequeno, bem pechinchado, em Londrina. São exemplos do que a quadrilha que aterrorizou o município de Ortigueira (Norte do Paraná) na última sexta-feira poderia comprar com o fruto dos roubos. Segundo estimativa da Polícia Civil, o valor total subtraído pelos assaltantes ficou em torno de R$ 60 mil, entre dinheiro, objetos e pertences. ''Foi muito barulho para pouco resultado'', avaliou o delegado da 18 Subdivisão Policial (SDP) de Telêmaco Borba, Jorge Luiz Wolker.
Até o fechamento da edição, nenhum membro da quadrilha havia sido preso. Um grande contingente de policiais - 150 homens foi o último número divulgado pela Polícia Militar (PM) - trabalhava nas buscas e bloqueios de estradas em todas as cidades da região. Um helicóptero do governo voltou a sobrevoar a área.
De acordo com o tenente do 3º BPM de Telêmaco, Nivaldo do Rego, no início da tarde de ontem policiais estavam fazendo diligências na área rural e buscando armas que supostamente teriam sido abandonadas. O delegado de Ortigueira, Ernandez Cezar Alves, confirmou que seriam em torno de 12 assaltantes e que parte deles já foi reconhecida por testemunhas em fotografias de suspeitos.
A sequência de crimes aconteceu anteontem, por volta das 10h30, quando a quadrilha armada com metralhadoras e fuzis teria chegado em dois carros ao prédio da PM de Ortigueira. Ali, tomaram como reféns o comandante, dois soldados e o prefeito de Ortigueira, Geraldo Magela (PSDB), levados numa viatura policial. Três armas e quatro coletes à prova de bala foram roubados. Depois, renderam cerca de dez pessoas na Delegacia de Polícia Civil, onde tomaram dinheiro e pertences.
Acompanhados dos quatro reféns, os bandidos assaltaram agências do Banco do Brasil, Itaú e Sicredi, além de uma lotérica, uma loja de telefonia celular e um posto de combustíveis, todos em Ortigueira. De folga, o policial civil Wilson Américo levou um tiro na barriga, mas não corre risco de morte. Os reféns foram abandonados pouco depois, na estrada do distrito de Briolândia, por onde a quadrilha fugiu.
Conforme a Polícia Civil, pelo menos oito carros foram usados nas ações e na fuga, seis deles roubados no mesmo dia. Dois Gols, com placas de Curitiba e Londrina, não tiveram a origem confirmada. ''Acredito que esses criminosos não têm experiência nesse tipo de ação. Nem tinham um plano de fuga, saíram batendo e trocando de carro. São uns aloprados'', afirmou Wolker.
As testemunhas já começaram a ser ouvidas. Uma delas é um taxista de Londrina que teria sido chamado pelos bandidos para fazer uma corrida. Segundo Ernandez, o motorista foi localizado pela polícia antes mesmo de fazer a viagem. Preferindo manter sigilo, o delegado não informou de onde o chamado partiu e disse que ainda não se sabe se o taxista era conivente com o crime.
Entre a população de Ortigueira, os ânimos estavam mais tranquilos ontem. O comércio voltou a funcionar, depois de um dia fechado. O comerciante Wilson Bonin disse que os crimes e a movimentação policial, inéditos na cidade, deixaram a todos curiosos. ''Onde você vê um grupo de três pessoas, estão falando do assunto. O boato é que a quadrilha tinha informantes por aqui'', repassou.


