Emerson Dias
De Londrina
Especial para a Folha
Uma quadrilha com pelo menos 12 pessoas assaltou ontem um carro-forte na Rodovia do Café (BR-376) próximo da cidade de Tibagi (101 quilômetros ao norte de Ponta Grossa), levando R$ 711 mil. Durante o roubo, que durou apenas cinco minutos, perto da localidade de São Bento do Amparo, os ladrões usaram três caminhões e armas pesadas.
Por volta das 10 horas, os assaltantes bloquearam a pista com uma carreta basculante roubada da Construtora Termac, de Praia Grande (SP). Ao perceber a ação dos bandidos, o motorista do carro-forte da empresa curitibana TGV tentou fazer o retorno quando dois caminhões-tanque fecharam a passagem, evitando a fuga. O motorista ainda tentou furar o bloqueio, mas acabou batendo e saindo da pista.
Mesmo sob fogo cerrado de fuzis, metralhadoras e pistolas, os cinco vigias evitaram abrir a porta do carro-forte. Para conseguir pegar o dinheiro, a quadrilha espalhou gasolina sobre o veículo e ateou fogo. O bando fugiu em uma caminhonete Silverado preta, que não teve sua placa identificada, rumo a Ponta Grossa. Testemunhas disseram à polícia que os assaltantes pegaram uma estrada secundária em direção às margens do Rio Tibagi, onde teriam usado uma balsa para atravessá-lo, seguindo para o interior do município.
Os policiais encontraram 20 pessoas presas em uma borracharia de São Bento do Amparo, tomada por três dos ladrões para funcionar como cativeiro temporário. Elas ficaram como reféns da quadrilha durante três horas. Um dos caminhões-tanque roubados, pertencentes a Transportadora Coati de Ponta Grossa, estava sob a responsabilidade do motorista Vanderlei Castilho. Ele estava com um passageiro, e foram assaltados por volta das 7 horas sendo levados à borracharia. ‘‘Quem procurou consertar pneus no local, também virou prisioneiro’’, disse Castilho.
A organização do grupo impressionou os policiais. Durante o depoimento, reféns contaram que os assaltantes discutiam horários e o trajeto do carro-forte em rádios e celulares. Testemunhas afirmaram ainda que um ‘‘olheiro’’ estaria na região há dois dias. Fingindo ser um vendedor de enxoval, ele perguntava aos moradores detalhes sobre as estradas rurais da região.
Durante buscas realizadas no local do crime, foram encontrados dezenas de cartuchos, uma pistola 9 milímetros e uma capa utilizada para guardar fuzis AR-15. Segundo o investigador Carmo de Jesus Ponte, a arma e os veículos utilizados pela quadrilha foram encaminhados para perícia na delegacia de Telêmaco Borba. Ponte informou ainda que funcionários que operam a balsa sobre o Tibagi disseram que não transportaram nenhuma Silverado, o que leva a polícia a crer que o bando ainda está na região. (Colaborou Claudilino Santos)

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