Quadrilha leva R$ 4 milhões de empresa
Alexandre Sanches
De Londrina
Cerca de 15 homens, fortemente armados, mantiveram as famílias de três funcionários da Proforte Transporte de Valores, de Londrina, em cativeiro e roubaram entre R$ 3 e R$ 4 milhões de vários malotes da empresa, ontem de manhã. A operação, muito bem planejada, começou por volta das 21 horas de anteontem, quando parte da quadrilha rendeu o gerente geral da Proforte, identificado apenas como Laurici, sua mulher e filha, obrigando-o a abrir o cofre da empresa.
Com a negativa do acesso ao cofre, a quadrilha sequestrou outro gerente, identificado como Luiz Carlos, e o tesoureiro Rosimar Gluck. Durante a madrugada, os três funcionários e familiares seis adultos e cinco crianças foram levados para um local que não souberam identificar e ficaram num cômodo. Márcio Fraga, cunhado do tesoureiro, contou que eles foram dominados por volta da meia-noite de anteontem, quando um dos gerentes, acompanhado de dois homens, chegou na casa de Gluck.
Eles foram bastante discretos e entraram armados com metralhadora e fuzil. Colocaram capuz em todos e nos levaram para um lugar, onde ficamos toda a madrugada, relatou. No cômodo onde ficaram detidos havia somente bancos de madeira. Eles trouxeram três colchões para as crianças dormirem, acrescentou.
De acordo com o delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Abrahão, no início da manhã parte da quadrilha saiu do cativeiro com os funcionários e foram para a empresa. A pressão psicológica foi muito grande. O gerente entrou primeiro na empresa e orientou os demais funcionários a não reagirem ao assalto, permitindo a entrada da quadrilha. Eles ficaram em torno de 30 minutos e fugiram em seguida, numa caminhonete S10, com placa de São Paulo, um Santana com placa de Campo Mourão e dois carros de funcionários, explicou. Os gerentes e o tesoureiro ficaram na empresa e foram orientados a aguardar a ligação dos familiares, que seriam soltos em seguida.
Ao sair da empresa, os assaltantes que usavam máscaras levaram também as fitas de segurança e armas da Proforte. A polícia acredita que parte da quadrilha seja do Estado de São Paulo. Durante o assalto, todos usavam celulares e escutas eletrônicas. Possivelmente há ligação de alguém da região no assalto. Eles planejaram toda a operação e acompanharam todos os passos dos funcionários antes do assalto, salientou Abrahão.
Os familiares foram liberados por volta das 8 horas na estrada Marana, em Cambé, onde a S10 e o Santana foram abandonados. Márcio Fraga disse que foram orientados a ficar de cabeça baixa e não olhar para trás. Quando não ouvimos mais barulho, levantamos. Fiz ligação direta na Kombi e fomos até um posto pedir socorro, sem saber onde estávamos, afirmou. Eles foram encontrados pela polícia no posto Portelão, às margens da PR-445, saída para Assis (SP). Todos foram levados para a empresa, antes de irem para casa de parentes e amigos.
Até o final da manhã, os carros dos funcionários, usados na fuga, não haviam sido localizados. A polícia acredita que a quadrilha tenha envolvimento com a que, em maio de 98, tentou assaltar um carregamento de R$ 5,6 milhões do aeroporto de Londrina. Também há indícios de que tenham participação em assaltos a carro-forte na região Norte, nos dois últimos anos.
Um dos gerentes informou à polícia que somente dois dos assaltantes não usavam máscaras. Vamos trocar informações com a polícia de São Paulo para tentar chegar a uma pista, afirmou Abrahão. O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Polícial, Wanderci Corral Fernandes, disse que em 20 anos que está em Londrina, este é considerado o maior assalto devido à ousadia. A polícia não quis revelar a identidade dos gerentes e familiares.Assaltantes mantiveram familiares (6 adultos e 5 crianças) de funcionários da Proforte como reféns por mais de 10 horas
Fotos Mário CesarATRÁS DE PISTASPolícia faz vistoria nos veículos usados durante o assalto e abandonados na zona rural de CambéAssaltantes desativaram sistema de segurança da empresaMárcio Fraga: um dos reféns





