Dois roubos numa única semana, três no mês, cinco no ano. Funcionários de um grupo de empresas que trabalham próximo ao número 800 da Avenida Carlos João Strass, na Zona Norte de Londrina, não aguentam mais os furtos de cabos telefônicos que têm comprometido as ligações e o uso da internet na região.
Sem querer se identificar, por medo de represálias dos bandidos, funcionários de quatro empresas contaram mais um furto, ocorrido na madrugada de ontem. Segundo técnicos da Sercomtel, que por volta das 9 horas de ontem foram até o local para repor os cabos, 80 metros de fios foram arrancados e os bandidos ainda deixaram parte do material abandonado na rua.
''A gente perde meio dia de serviço porque até a Sercomtel repor os cabos já deu a hora do almoço'', disse a responsável pelo setor financeiro de uma transportadora. Segundo ela, só em outubro foram três furtos, no primeiro sábado do mês, na última terça-feira e ontem.
''Meu chefe me cobra, quer saber como está a situação bancária, mas não tenho acesso à internet. Tenho 25 motoristas que precisam me ligar três vezes pela manhã para passar as coordenadas e sem telefone eles têm que ligar à cobrar no celular'', completou.
''É complicado porque para tudo a gente depende da internet. A nossa matriz é em Cascavel e a gente resolve tudo por telefone e computador'', declarou a funcionária de uma empresa de logística e distribuição, reclamando já ter perdido um dia inteiro de trabalho esta semana.
O proprietário de uma indústria de agroquímicos acredita que os furtos sejam cometidos sempre pela mesma pessoa. ''É muita coincidência. Deve ser alguém que conhece os fios e sabe onde tem que cortar.''
A funcionária de uma metalúrgica contou que a empresa teve que dispensar a telefonista porque os clientes reclamaram que ninguém atendia as ligações. ''Nem sabemos mais se o problema era a recepcionista ou o telefone porque quando cortam os fios, o telefone não fica mudo, nem ocupado.''
Conforme informações da assessoria da imprensa da Sercomtel, a empresa possui um sistema de alarme sonoro que é ativado sempre que acontece algum furto. O alarme aciona a central telefônica da Sercomtel, que funciona por 24 horas. Quando acontece um furto, o técnico responsável aciona a polícia e o sistema de segurança da empresa.
Este ano a empresa já teve um prejuízo de R$ 65,3 mil com a reposição de cabos furtados. Ao todo foram registrados 26 roubos na cidade e três, este mês, na região da Avenida Carlos João Strass. No ano passado, a Sercomtel registrou 48 furtos, que deixaram um prejuízo de R$ 76,2 mil nas contas da Companhia.
O delegado-chefe da 10Subdivisão Policial, Sérgio Luiz Barroso, afirmou que a Sercomtel repassa para a Polícia Civil todos os registros de furtos de cabos em sua área e que há uma equipe investigando o crime. Porém, até o momento, nenhum suspeito foi identificado. Ele comentou que o combate a este tipo de delito depende muito de denúncias feitas pela população para o 147. Isto porque os criminosos furtam a fiação mas depois precisam revendê-la para alguém para obterem lucro. Segundo o delegado, os marginais costumam desencapar os fios para dificultar a identificação da empresa de onde foram furtados.

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