Quadrilha falsificava documentos para levar pessoas ao Japão
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quarta-feira, 04 de julho de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
A polícia de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão) está investigando a participação do vereador Carlos Joaquim Ribeiro Lima (PMDB) em uma possível quadrilha que falsificava documentos para levar pessoas para trabalhar no Japão. Até ontem à tarde, cerca de 40 pessoas já tinham prestado depoimento na 50ª Delegacia Regional de Polícia e se diziam vítimas de um golpe. Parte delas nem chegou a embarcar para o Japão. Outras, tiveram que voltar quando foi descoberta a falsificação nos documentos.
De acordo com a polícia de Ubiratã, a maior parte dos depoimentos envolve o vereador Carlos Joaquim Ribeiro Lima, que também é gerente dos Correios da cidade. As vítimas disseram que Lima cobrava de R$ 7 mil a R$ 9 mil de cada pessoa para providenciar a documentação para que elas pudessem ir até o Japão. Depois de empregadas, elas teriam que pagar outros US$ 6,5 mil já descontados do salário.
Segundo a polícia apurou, os documentos eram falsificados porque as pessoas não tinham descendência japonesa. A falsificação começava pela certidão de casamento dos pais da pessoa que estava disposta a trabalhar no Japão. A promessa era de que todos deveriam viajar como turistas e que o visto de permanência no país seria conseguido no Japão. Parte das vítimas teve que retornar ao Brasil logo em seguida porque a falsificação foi descoberta.
O mecânico João Antônio Gazi, 43 anos, nem chegou a embarcar. Ele conta que pagou R$ 14 mil a Lima em agosto do ano passado para ir com o filho, Anderson, de 20 anos, para o Japão. Gazi vendeu um carro para conseguir o dinheiro. Nossa viagem era sempre adiada e começamos a desconfiar, conta. Não imaginava que o negócio envolvesse a falsificação de documentos. Gazi diz que até agora não recuperou os documentos entregues a Lima.
Nos depoimentos dados na delegacia de Ubiratã há casos de pessoas que chegaram a pedir demissão no emprego para ir trabalhar no Japão. A promessa era de que haveria trabalho com salários em torno de US$ 2,5 mil mensais. Algumas chegaram a mostrar recibos do dinheiro que teria sido entregue a Lima. A polícia já apurou que o golpe envolve pessoas de Umuarama e que existem ramificações da quadrilha em várias partes do País.
A Folha procurou ontem o vereador Carlos Lima, mas a informação dada foi de que ele estava participando de um curso em Cascavel. Para a polícia, Lima não quis prestar depoimento e disse que só vai falar em juízo.
Para o jornal O Guarany, de Ubiratã, o vereador afirmou que também é vítima da trama e que apenas tentava ajudar as pessoas pensando que o procedimento era legal. Lima também negou ao jornal que tenha ficado com o dinheiro das vítimas.


