A polícia de Itajaí, no litoral de Santa Catarina, prendeu no final de semana pelo menos três dos acusados de formar a chamada ‘‘quadrilha do desmanche’’, que roubava caminhões no Paraná. Jaconias Felipe de Souza, o ‘‘Jacó’’, 40 anos; o irmão dele Daniel Felipe de Souza, o ‘‘Fininho’’, 43 anos; e José Carlos Jacks, o ‘‘Pedro Gordo’’, 31 anos (provavelmente o mesmo Pedro Soares Júnior), foram presos com outras quatro pessoas no sábado. Eles estavam com prisões preventivas decretadas pela Justiça de Campo Mourão desde o final de setembro.
O delegado da 1ª Delegacia de Polícia de Itajaí, Renato Oliveira de Mattos, disse à Folha, por telefone, que o grupo vinha atuando em Santa Catarina da mesma forma que trabalhava em Campo Mourão. Eles roubavam veículos e depois trocavam os chassis dos carros roubados por outros automóveis batidos, tornando os veículos ‘‘legalizados’’. A quadrilha também roubava cargas. Além dos três, também foram presos Oriel de Paiva Saldanha, Wilfredo Valdemar Pereira, Paulo Sérgio Luiz da Silva e Elaine Terezinha Felipe.
Segundo o delegado de Itajaí, as investigações sobre a quadrilha haviam começado há pouco mais de um mês, com a denúncia de que o grupo estava comprando caminhões destruídos em acidentes. Junto com a quadrilha, a polícia apreendeu um BMW roubado em Curitiba, um Kadett, um Vectra, um Tempra e um caminhão. Até ontem à tarde a polícia estava verificando as origens dos veículos. Todos os acusados tiveram prisões preventivas decretadas pela comarca de Balneário Camboriú e foram levados para Florianópolis.
O delegado disse também que, apesar de estar atuando em Santa Catarina, o grupo vinha tendo contatos diretos e até fazendo viagens para Maringá e Foz do Iguaçu, além de outras cidades de Goiás e São Paulo. Jaconias Felipe de Souza, o Jacó, por exemplo, tinha mudado seu nome para Jacob Francisco dos Santos, possuía carteira de identidade falsa e contava até com conta corrente em bancos de Itajaí. A quadrilha também dispunha de barracões alugados em Jaraguá do Sul, onde estava o caminhão que pode ser roubado.
Sem reação A prisão da quadrilha foi feita sem que eles reagissem. Pedro Gordo, no entanto, tentou fugir pulando do primeiro andar do prédio onde morava, em Itapema, e acabou fraturando a bacia, tendo que ser hospitalizado. Dos sete presos no final de semana, Wilfredo Valdemar Pereira era o único de Santa Catarina. Os outros seis eram do Paraná. Wilfredo foi preso em Itajaí e Elaine Terezinha Felipe em Balneário Camboriú. Todos os outros cinco foram presos em Itapema. Jaconias, Daniel e Pedro Gordo devem ser transferidos para Campo Mourão.
O caso dos desmanches começou a ser descoberto em Campo Mourão, no dia 8 de setembro do ano passado, quando peças de caminhões roubados foram encontradas numa chácara próxima ao perímetro urbano da cidade.
Até o final de outubro, a polícia encontrou outros nove pontos onde peças eram escondidas, incluindo barracões do parque industrial de Campo Mourão. Os chassis, que poderiam identificar os veículos, eram cortados em pequenos pedaços e jogados em rios e lagos do município.
Segundo levantamento do 11º Batalhão da Polícia Militar de Campo Mourão, as peças encontradas eram de cerca de 50 caminhões, mas apenas 21 placas foram localizadas. Três pessoas chegaram a ser presas no município acusadas de participação na quadrilha, mas todas foram soltas.
O último deles é o empresário Antônio Carlos Bernardes Souza, o ‘‘Carlinhos do Som’’, 35 anos, que ganhou liberdade provisória na sexta-feira. Ele havia ficado foragido desde que teve prisão decretada, mas se apresentou à Justiça no dia 12 de maio.

mockup