Josoé de CarvalhoDormitórioNa rua Benjamin Constant, prédio que vinha sendo usado como mocó foi fechado ontem. Menores dormiram em um terreno baldio próximoEm duas semanas, nove pessoas foram assaltadas no centro de Londrina por quadrilhas de menores de idade. Durante o dia, os menores agem no quadrilátero das ruas Benjamin Constant, Duque de Caxias, Sergipe e Mato Grosso. Nas noites e nas madrugadas, eles roubam perto do Terminal Rodoviário e na praça Rocha Pombo. Segundo as vítimas, a quadrilha é formada também por meninas, que são usadas como isca para os roubos.
O trabalhador rural José Isaías da Costa, que mora em Tamarana, contou que no último domingo à tarde, quando caminhava pela rua Sergipe, foi abordado por uma menina, que aparentava 15 anos. ‘‘Ela disse que precisava de dinheiro para comprar comida, porque estava sozinha em casa. Também falou que os pais estavam internados em um hospital de Curitiba e ela não sabia o que fazer.’’ Costa afirmou que em seguida apareceram cinco menores, dois deles armados com facas, que o obrigaram a entregar R$ 62 e todos os documentos.
A dona-de-casa Luciana Maria Vítor foi roubada na manhã do último sábado, quando caminhava pela rua Benjamin Constant. Ela relatou que primeiramente teve raiva dos seis menores, por ter que entregar os R$ 32 que levava na bolsa para comprar a carne do churrasco que faria domingo. ‘‘Eu me arrependi do ódio que senti daquelas criaturas. Depois eu mesma vi a situação delas. Todas magrinhas, olhos fundos, pareciam ter fome. Na realidade elas se apropriaram de um dinheiro que serviria para fazer uma festa e que não me faria tanta falta.’’ Luciana Maria questionou o que o Governo e a sociedade estão fazendo para retirar as crianças da rua.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, disse que ‘‘o problema extrapola as funções da polícia’’, porque não basta prender os menores infratores. ‘‘Temos dado toda a atenção para esses assaltos praticados por menores. Temos detido os pequenos ladrões, mas isso não basta. Precisamos ter uma política social adequada para tirarmos as crianças das ruas.’’ O delegado citou o caso de um menor, que foi detido 19 vezes no ano passado e continua na rua.
Ontem, a propriedade abandonada na rua Benjamin Constant, que servia de mocó (abrigo) para os menores, estava sendo limpa. Na porta de entrada do prédio, que havia sido arrombada por eles, foi colocada fechadura nova. Uma vizinha contou que eles passaram a dormir no terreno ao lado, sobre um monte de areia.

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