Curitiba - Um esquema envolvendo motoristas de uma empresa de distribuição terceirizada pode ter causado um prejuízo de R$ 1,7 milhão à Philip Morris Brasil Ltda. Na manhã de ontem, 13 pessoas foram presas suspeitas de formar uma quadrilha para desviar carregamentos de cigarros da empresa, que tem sede na Capital, em Araucária e em Pinhais, na região metropolitana. Entre os detidos, estão quatro motoristas da terceirizada, dois ex-motoristas, três donos de bares da região central de Curitiba, dois intermediadores (um deles seria ex-funcionário da distribuidora), e um casal, apontado como líder do esquema.
De acordo com o titular da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Marcus Vinicius Michelotto, os motoristas da distribuidora de Pinhais forjavam roubos contra eles mesmos e levavam os carregamentos de cigarros para duas pessoas, que seriam os contatos com os receptadores.
Após os falsos roubos, os motoristas iam à polícia a para registrar boletins de ocorrência. Até ontem, haviam sido contabilizadas 60 queixas. ''A equipe da delegacia começou a verificar muitos boletins sobre roubos da mesma empresa e muitas histórias mal contadas pelos motoristas'', disse Michelotto ao explicar de onde partiram as investigações, iniciadas há seis meses. ''Os motoristas chegavam a reconhecer outros bandidos que já tinham passagem por esta unidade'', afirmou o policial. A polícia acredita que a quadrilha atua há mais de um ano. Os motoristas e ex-funcionários seriam peças fundamentais no esquema por conhecerem o processo de distribuição.
Os intermediadores vendiam os cigarros desviados para bares e outros estabelecimentos no Centro de Curitiba e até em Santa Catarina. Os motoristas, ex-funcionários, intermediadores e o casal serão autuados por apropriação indébita. Os donos de bares serão responsabilizados pelo crime de receptação. Todos responderão por formação de quadrilha. Durante a ação foram apreendidos pacotes de cigarros, R$ 13.359,00 em espécie, cheques, televisores, notebooks e CPUs.
A polícia deve continuar investigando o caso para descobrir outros envolvidos. A reportagem da FOLHA ligou para empresa terceirizada, onde os motoristas trabalham, mas ninguém atendeu as ligações. A maior vítima dos desvios, a empresa Philip Morris, reconheceu o trabalho da Delegacia de Estelionato. A empresa acredita que os desvios fomentam o comércio ilegal e levam danos a toda cadeia industrial do ramo.

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