Israel Reinstein
De Curitiba
A Polícia Civil apresentou ontem uma quadrilha de assaltantes de bancos que roubou mais de 30 agências em Curitiba e região metropolitana. Os ladrões atuavam baseados em reportagens de jornais, noticiando as agências já assaltadas que não tinham sistema de segurança e alarme. ‘‘Cada vez que a polícia divulgava um assalto, anotávamos a hora da ocorrência e o banco que não possuía sistema de segurança. Depois, retornávamos no mês seguinte’’, afirmou José Viana de Souza, que é um dos cabeças da quadrilha.
De acordo com o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil, Mário Ramos, a quadrilha está atuando desde 98 em Curitiba e região metropolitana. Ao todo, o delegado estima que 13 pessoas estão envolvidas no grupo de Viana. Seis, incluindo Viana, foram apresentados ontem – Silvio Morreira Garcês (conhecido como Pastor), Eli Alves Bezerra (Durok), Osvaldo Clemente Pereira, Antônio Carlos Fernandes e Waldemar Dutra da Silveira. Mário Ramos afirmou que outros quatro integrantes da quadrilha estariam presos e três deles foragidos.
Os mentores dos assaltos seriam José Viana de Souza e Silvio Moreira Garcês. Garcês disse ser um conselheiro de uma igreja evangélica no bairro Uberaba, por isso era chamado de ‘‘pastor’’ ou ‘‘reverendo’’. Era ele quem sabia os horários que chegavam os malotes de dinheiro nos bancos. A polícia suspeita que ele tenha ligações entre as empresas de segurança e entrega de malotes. Garcês, afirmou o delegado, trabalhou também como informante da Delegacia de Furtos e Roubos.
De acordo com Mário Ramos, o ‘‘pastor’’ se fantasiava com um óculos de lentes com formato de fundo de garrafa. Com uma bíblia na mão, ele entrava como um cliente normal, para depois dar sinal aos comparsas. ‘‘Ele não participava dos assaltos, mas assistia toda operação como uma pessoa comum’’, disse o delegado. Depois do assalto, os ladrões se reuniam em um sala do Edifício Asa, no Centro de Curitiba, para fazer o rateio do dinheiro.
Foi com a prisão de ‘‘pastor’’ que a polícia chegou aos demais integrantes da quadrilha. Garcês foi preso quando analisava o posto bancário do Hospital das Nações, no Alto da XV. A polícia chegou a ele, depois de denúncia anônima, que avisava da possibilidade do assalto. Como o pastor foi preso sem que os demais integrantes soubessem, os policiais puderam rastrear as ligações e descobrir os demais envolvidos na quadrilha.

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