Uma quadrilha aterrorizou, durante a madrugada de ontem, 39 passageiros de um ônibus que fazia a linha Londrina-Curitiba. Além de roubarem dinheiro, celulares, jóias e relógios, os três assaltantes agrediram diversas pessoas com murros e coronhadas.
O crime aconteceu perto da 0h30, minutos depois de o ônibus ter saído do Terminal Rodoviário de Londrina (área central). Armados, os três fingiram ser passageiros e deram voz de assalto no momento em que veículo havia parado em um semáforo da PR-445 (zona sul). Passageiros contaram que, para obrigá-los a entregar dinheiro e objetos de valor, um dos assaltantes chegou a apontar a arma na cabeça de um bebê de apenas dois meses que estava com a mãe, Tatiane Lacerda, 27 anos. ''Ele queria atirar na cabeça da criança e falava que, se não tivesse o dinheiro rápido, começaria a matar gente'', afirmou um dos passageiros, o operário Antonio Ferreira da Silva, 48 anos. Ele estava bastante abalado.
Entre os passageiros feridos, está Daniel Oykawa Lopes, 26 anos, que teve o rosto atingido pelos estilhaços provocados por um disparo no interior do ônibus. ''Foi um terror. Ameaçaram minha filha, deram coronhadas no motorista e dispararam um tiro no fundo do ônibus. O loiro era o mais violento'', disse a dona de casa Denise Isabel, 21 anos, referindo-se ao homem que atirou dentro do veículo. Os outros dois acusados são morenos.
A quadrilha mandou o motorista Severino da Silva parar o ônibus perto do Conjunto Jamile Dequech (zona sul), onde desceram com o material roubado. O líder do grupo ainda exigiu que Silva seguisse viagem. ''Tem um carro seguindo vocês. Se retornarem, levam chumbo'', teria dito o assaltante.
Os passageiros pararam em Tamarana (62 km ao sul de Londrina) onde os feridos foram atendidos. O retorno a Londrina ocorreu durante o início a manhã, quando todos seguiram direto para a 10 Subdivisão Policial (SDP). Enquanto o ônibus era levado para o Instituto de Criminalística (onde passaria por perícia), as vítimas analisavam as fotos de arquivo da Polícia Civil, na tentativa de identificar os criminosos.
De acordo com o delegado-chefe da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, as informações colhidas nos depoimentos foram passadas rapidamente para os investigadores. ''Estamos com todas as equipes da Divisão de Furtos e Roubos nas ruas, trabalhando neste caso'', disse André, destacando que os bairros da zona sul (principalmente o Jamile Dequech e União da Vitória) seriam os principais alvos das buscas realizadas pela polícia. O delegado-chefe afirmou que não se pode ''admitir crimes como esse em hipótese alguma''.
A Viação Garcia enviou outro ônibus para recolher os passageiros na delegacia, mas muitos desistiram de viajar. ''Íamos para Guaratuba (litoral paranaense), mas agora não dá mais. Perdemos todo o dinheiro no assalto'', lamentou Denise. Até a tarde de ontem, a polícia não havia prendido qualquer suspeito do crime.

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