Cada um dos últimos 84 dias foi uma vitória para o vendedor de produtos de higiene industrial Clodoaldo Trainotti, 32 anos, e para a engenheira de telecomunicações Juliana Martins Menotti Trainotti, 31. Os quadrigêmeos do casal, nascidos em um parto prematuro, venceram a batalha travada dia após dia contra a lei da natureza, aquela que diz que só os mais fortes devem sobreviver. Mesmo abaixo do peso, enfrentando a falta de oxigênio, os pulmõezinhos mal formados, as infecções e a falta de peso, os quatro começam a deixar o berçário, prontos para encarar o mundo fora do Hospital Evangélico, sua casa nestes 84 dias de vida.
Felipe, com 2,045 quilos, e Débora, com 2,420, serão os primeiros a ter alta. Hoje mesmo, devem ir para casa. Dá para reconhecer Felipe pela roupinha azul, em contraste com o rosa que enfeita as irmãs. É também o mais curtinho dos bebês. Foi o que nasceu mais levinho, com 880 gramas. Foi também quem ''estourou'' sua bolsa, e acabou fazendo com que mamãe Juliana passasse pelo parto prematuro, com 29 semanas da gestação, seis antes do prazo mínimo ideal.
Débora é a mais pesadinha. Mas foi a segunda mais fraca a nascer, pesando apenas 955 gramas. É também a mais agitada. Só pelo choro, já é reconhecida pela mãe. Bárbara é a mais clarinha. Com 1,990 kg de peso, ainda falta pouco de tamanho para que a criança, nascida com 1,100, tenha alta. Já Giovana está tranquila: parece ser a mais calma de todos os bebês do berçário. Nasceu com 965 gramas e ainda precisa de um pouco mais de físico.
A história desses quatro bebezinhos fisicamente frágeis, mas determinados em viver, começa com o casamento de Clodoaldo, há cinco anos. A vontade de ter filhos virou plano três anos depois. Mas as tentativas não deram certo. Optaram então pela fertilização in vitro. E souberam que havia uma probabilidade pequena, mas considerável, do processo resultar na concepção de gêmeos. ''Não fiquei preocupado. Eu pensei que gêmeos não seria mal, já que nosso plano era ter dois mesmo'', lembra Clodoaldo. ''Mas no primeiro ultrassom, quando falaram em quatro, eu gelei''.
Cada um deles foi gerado em sua bolsa. No futuro, serão parecidos, mas não idênticos como irmãos univitelinos. E poderão rever toda a história de seus três primeiros e tumultuados meses de vida. Diariamente são filmados e fotografados pelo pai. Clodoaldo e Juliana também se dobram nos cuidados aos filhos. A mãe chega às 8 horas ao hospital, e só pode dar uma relaxada às 23 horas, depois que os quatro passaram por cinco amamentações.
Mas o cansaço e a tensão de cuidar de quatro bebês estão só começando. As auxiliares de enfermagem já preparam o espírito de Juliana para o quem vem por aí. São 80 pequenas unhas para serem cortadas periodicamente, com todo o cuidado. Serão também grandes as despesas com comida, roupas e material de higiene. Se optar pelas fraldas descartáveis, por exemplo, o casal terá um gasto médio de sete ao dia com cada criança. Serão 28 ao total, ou 84 pacotes de fraldas ao mês, que equivalem a pelo menos R$ 250,00 de gasto.
Juliana, no entanto, ainda não demonstra preocupação. ''Vamos ter um trabalhão, mas só ver que eles venceram essa fase crítica já é uma felicidade completa'', comemora com o sorriso que não sai do rosto. Com o resto, ela e Clodoaldo vão se preocupar mais tarde.

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