Punguistas agem livremente nos ônibus
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de julho de 1998
Andrea Vendramini 
Esperando o ônibus para voltar para casa, a empregada doméstica Floriza Carlos, 44 anos, teve a carteira de identidade roubada de sua bolsa no final da tarde de ontem, no Terminal Guadalupe, no centro de Curitiba. Como ele (o ladrão) estava muito perto de mim, eu disse para passar na minha frente porque achei que ele estava com pressa, contou, totalmente desatenta. Ela só percebeu o que tinha acontecido quando foi avisada por algumas pessoas que estavam próximas.
O fato não é isolado nem incomum. Os usuários do sistema de transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana têm medo da ação dos punguistas. Eles agem dentro dos ônibus e aproveitam o movimento nos terminais para tirar carteiras das bolsas ou do bolso dos mais descuidados. Segundo a delegada operacional da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, Márcia Braga, a maior incidência de furtos é registrada nos ônibus expressos, que são mais cheios e passam pela região central da cidade. Os horários de maior risco são o do almoço (das 12h às 13h30) e no final da tarde (das 17h30 às 19h).
Marcelo Almeida....mas é preso por motoristas e entregue à polícia, que o liberouO batedor de carteira foi pego por motoristas e cobradores, que o entregaram a um policial militar, mas foi liberado em seguida porque Floriza optou por não registrar queixa na delegacia. Eu tenho muito medo de ter assaltada nos ônibus, disse. Realmente foi um descuido. Eu me distraí. Floriza contou que já havia sido assaltada há cerca de um ano num ônibus da linha Jardim Áquila. Os assaltantes levaram o relógio dela e o par de tênis de seu filho. O prejuízo não foi maior porque não tínhamos dinheiro, disse.
A delegada Márcia Braga dá alguns conselhos para evitar este tipo de batedor de carteira, que normalmente age nos ônibus mas varia de linhas. Algumas dicas são levar a bolsa junto ao corpo e evitar guardar o dinheiro em bolsos de roupas largas. Outros conselhos são ficar atento aos movimentos dos demais passageiros e desconfiar das pessoas que se aproximam demais. Todo mundo conhece essas regras. O problema é que as pessoas se esquecem de aplicá-las.
A confeiteira Raquel Sedlnaier, 50 anos, nunca leva o dinheiro na bolsa porque tem medo dos punguistas. Há dois meses, ela quase foi uma vítima. Colocaram a mão na minha bolsa quando eu estava no Interbairros 2, disse. Ela não foi roubada porque sentiu que estavam mexendo em sua bolsa. O balconista João Roberto Martins, 29 anos, fica atento quando está no ônibus. Um de meus irmãos e vários amigos meus já tiveram suas carteiras furtadas quando estavam nos ônibus. A estudante Marisa Benato, 24 anos - que usa com frequência os ônibus da linha Timbu para ir de Curitiba a Quatro Barras - garante que acontecem muitos furtos durante o trajeto. Eu tenho muito medo. Já dispararam até tiros num ônibus em que eu viajava, disse.Mas o ladrão preso ontem, no Terminal do Guadalupe, foi liberado porque as pessoas têm medo de apresentar queixa
Marcelo Almeida...logo em seguida, tem sucesso ao roubar o documento de Floriza....
O maior risco está
nos ônibus expressos,
na hora do almoço e
no final da tarde


