Curitiba - A última vez que o puma da região do Guartelá invadiu as áreas dos fazendeiros, há três dias, os moradores decidiram agir. Não por medo de serem atacados mas por receio de que algum proprietário matasse o animal. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Tibagi, quatro denúncias de ataque de pumas foram registradas este mês, todos contra animais de criação doméstica de pequenos produtores de grãos da região.
Os 21% de Mata Atlântica protegida no município de Tibagi já não oferecem mais condições para a sobrevida do animal, que ocupa o topo da cadeia produtiva. Tatus, capivaras e outros roedores não se comportam mais como presa fácil, nem fazem mais morada no habitat natural. Já lutando contra a extinção, o ''leão-da-cara-suja'', como o povo da região chama o puma, precisa correr atrás de comida, para isso não hesita em atacar carneiros, porcos, galinhas e bezerros.
Dona Maria Júlia, proprietária de terra que pertence ao complexo do Parque do Guartelá, se queixa que sumiram 16 galinhas d'angola de sua fazenda. Agora só lhe restam quatro. ''Nós queremos a nossa criação de bichos mas também queremos o leão-da-cara-suja'', fala Dona Maria.
A coordenadora de meio ambiente da prefeitura de Tibagi, Leri Ribeiro, recebeu informações de como o homem pode conviver com animais silvestres. Entidades como a Força Verde e Instituto Chico Mendes, de São Paulo, enviaram cartilhas com dicas para inibir o ataque dos pumas sem colocar a vida de nenhum animal em risco. Manter o rádio ligado no curral ou levantar um espantalho vai afugentar o bicho, garantem as entidades.
A prefeitura busca biólogos ou entidades paranaenses dispostos a fazer estudos de campo, para levantar dados dos pumas, quantificá-los e estudar seus hábitos, afim de preservar a espécie.

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