A violência sexual que uma menina de 13 anos sofreu na semana passada em Londrina, em consequência das ''pulseirinhas do sexo'', divulgada ontem com exclusividade pela FOLHA, colocou o assunto em discussão. O caso deixou muitos pais preocupados e sem saber como agir diante da impulsividade dos jovens. Proibir o acessório é o caminho? Ou confiar no filho que diz que é apenas a moda?
Para o psicólogo Fernando Zanluchi, especialista em infância e adolescência e mestre em educação, o conselho é que os pais exerçam o pátrio poder e não permitam que os filhos usem o acessório. ''Mesmo aqueles que não veem nenhum mal ou que dificilmente seriam atingidos de forma violenta, até por uma questão de consciência, não devem divulgar um jogo que pode trazer consequências ruins para outros.''
Por este motivo, o psicólogo defende a necessidade de uma consciência comunitária. ''Talvez o uso das pulseiras não faça mal ao seu filho, mas com certeza o bem não vai fazer e só por esse motivo já se justificaria não usar. Ainda que o filho tenha a cabeça feita, não podemos pensar somente nele ou em nossa família. Se o jovem está usando, outras crianças podem se espelhar. Mas estas podem não ter a mesma estrutura. É como brincar de roleta russa com cabeça alheia.''
Segundo Zanluchi, um dos grandes problemas é que as pulseiras estão sendo usadas por crianças. ''Algumas delas têm 8, 9 anos. A preocupação está no fato de as tais pulseiras estarem no limiar entre a brincadeira e a realidade. A criança que coloca essa pulseira está brincando de faz de conta. Mas do outro lado, quem estoura está falado sério'', alerta.
A violência que aconteceu com a menina, ele considera como a ponta do iceberg. ''Isso foi o pior que poderia ter acontecido, mas o ruim já está acontecendo. As crianças estão numa formação de caráter, de moral, tendo contato com um brincadeira que é real sobre sexo. Se essas ideias, essas fantasias fazem parte desde essa idade, quando ficarem adultas, quais fantasias farão parte de suas vidas?''
E completa: ''Se os pais não deixam os filhos namorarem cedo, fazer sexo muito cedo, vão deixar usar pulseiras do sexo? Alguns não sabiam do significado, mas grande parte dos jovens sabia. Se eles vão usar fora da escola longe dos olhos de alguém, isso é uma questão de educação e não de legislação. Educação no sentido de proteger e dar limites.''
O limite deve ser no sentido de conter e de acolher. ''Toda educação precisa ter endereço, RG e CPF. Os pais devem imprimir no seu filho aquilo que acredita. Quando alguma moda vai contra seus princípios, não é porque todo mundo faz, que seu filho vai fazer também. Isso é relegar para 'Terra de ninguém''', aconselha.
Jovens
No início da tarde de ontem, a reportagem foi até uma escola ouvir o que os adolescentes pensam sobre o assunto. Divididos, alguns diziam que usam o acessório por moda. ''Acho as pulseiras bonitas. Ninguém é obrigado a fazer nada se não quiser'', disse uma menina de 16 anos. Já outra de 14 comentou que quando ficou sabendo do significado das pulseiras, deixou de usar. ''Acho perigoso.''
Ainda assim, há aqueles que sabem do conteúdo e acham a brincadeira engraçada. ''Tinha mais de 70 pulseiras. Já até mostrei os seios uma vez'', confessa uma menina de 15 anos. Um grupo de adolescentes também disse que vários alunos da escola usam. ''Todo mundo sabe o que significa. Minha vizinha de dez anos usa o braço cheio de pulseiras'', comentou um garoto de 14 anos.
Preocupada com os filhos em idade escolar, a dona de casa Andrea Casagrande, disse que até mesmo ela não achava que era tão grave a situação. ''Até ontem, tinha uma banquinha vendendo as pulseiras em frente à escola. Achei que fosse tudo uma brincadeira. A partir de agora não vou permitir que eles usem.''

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