PUC-PR e Santa Casa em parceria na administração
Dimitri do Valle
De Curitiba
Em meio a um déficit financeiro de R$ 5 milhões e acusações da existência de um esquema que privilegia o atendimento de consultas particulares, a Santa Casa de Misericórdia de Curitiba resolveu mudar o conceito de administrar a instituição hospitalar. Oficialmente, parte desta responsabilidade está, desde ontem, com a PUC-PR, que passará a ter representantes no Conselho Administrativo do hospital.
O reitor da PUC, Clemente Ivo Juliato, enumerou três prioridades: recuperação econômico-financeira, reestruturação organizacional e administrativa que culminem com uma prestação de serviços mais competitiva e a consolidação da Santa Casa como hospital de ensino. O estudantes da universidade poderão realizar estágios a partir de fevereiro do próximo ano. Em troca, a direção da PUC promete encontrar fórmulas para tirar a instituição do atoleiro financeiro.
Para o provedor da Santa Casa, Ary de Christan, a parceria com a PUC representa o fato mais importante desde a inauguração do hospital, em 1880. Considero esta nova fase uma mudança de rota na administração, disse o provedor. Christan confirmou em entrevista coletiva que o déficit financeiro da Santa Casa é de R$ 5 milhões. Grande parte deste montante, segundo ele, foi causado pela desvalorização do real, em janeiro passado. Os preços das mercadorias e remédios subiram em torno de 50%, alegou.
O reitor Clemente Juliato explicou que uma das estratégias para tentar gerar economia é a renegociação de preços do material hospitalar e dos remédios. No momento em que o Hospital Cajuru fizer suas compras, a Santa Casa pode negociar em conjunto, exemplificou. O Cajuru é administrado pela Sociedade Paranaense de Cultura, a mesma entidade mantenedora da PUC.
A Santa Casa foi alvo de denúncias no mês passado de um integrante da administração. O vice-provedor da instituição, coronel de artilharia José Newton Romeiro, acusou Christan pela imprensa de ser conivente com a exploração indevida dos equipamentos hospitalares. Eles eram adquiridos no exterior com isenção fiscal, mas explorados por médicos ligados à administração em consultas particulares, como se os aparelhos fossem de propriedade destes profissionais.
Christan, na época, rechaçou as acusações, alegando que elas representavam apenas um ponto de vista pessoal do coronel Romeiro. Atualmente, um funcionário da Receita Federal está examinando os balancetes da Santa Casa após as revelações de Romeiro, que acusou ainda o hospital de manter um cabide de emprego para apadrinhados. O coronel disse que também entregaria as denúncias para a Procuradoria da República. Ele montou um dossiê com mais de duas mil páginas.





