PUC faz implante de válvula artificial
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terça-feira, 09 de setembro de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Uma cirurgia de implante de coração artificial, inédita no Sul do País, foi realizada ontem, em Curitiba, no Laboratório de Técnicas Operatórias da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná. O procedimento feito em um suíno teve caráter demonstrativo aos participantes do 63º Congresso Brasileiro de Cardiologia.
Mas, a partir de outubro, a técnica -de fundamental importância para quem aguarda transplante de coração- deverá ser disponibilizada para pacientes da Santa Casa de Curitiba.
O chefe de Cirurgia Cardíaca da Santa Casa, Francisco Diniz Afonso da Costa, explicou que o ventrículo artificial, com bomba hidráulica externa, desempenha a função do coração em pacientes que sofrem de insuficiência cardíaca. É uma alternativa a quem está na fila do transplante. "De 100 pessoas que aguardam um coração, quatro ou cinco vão conseguir o transplante. As outras 95 vão morrer na fila", pontuou.
Os fatores que levam à insuficiência cardíaca são vários. Infarto, doença no músculo do coração e alcoolismo, que também, enfraquece o músculo cardíaco, são alguns dos exemplos citados pelo médico. "A pessoa começa a sentir cansaço, falta de ar, até chegar um momento em que não terá qualidade vida alguma, mesmo que ela tome um monte de remédios", acrescentou Costa.
Os casos de pacientes com miocardites -cujo tratamento pode demorar de um a dois meses- também podem se beneficiar da técnica ainda pouco difundida no Brasil. O coração artificial é uma "ponte para o transplante" e funciona paralelamente ao coração doente. No implante "paracorpóreo", o paciente aguarda o transplante, por até seis meses, internado. O médico lembra que há corações artificiais que são totalmente implantados nos pacientes em substituição ao órgão, mas se trata de um procedimento muito caro. O ventrículo artificial é uma tecnologia norte-americana e, apesar de menos onerosa, não tem, ainda, cobertura pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Costa, por ano, entre 200 e 300 pacientes poderiam receber o coração artificial, no Paraná, para que a espera por um transplante se desse com um pouco mais de qualidade de vida.
A cirurgia realizada ontem teve a participação do médico Juan Mejia, do Hospital de Messejana Dr. Carlos Albert Studart Gomes, do Ceará, que é referência na técnica. O hospital realizou, em maio, o implante artificial em um paciente que aguardava na fila de transplantes e logo depois foi beneficiado com o coração definitivo.


