Sem a doação de um terreno para implantação do câmpus da Pontifícia Universidade Católica (PUC) em Londrina, a cidade corre o risco de perder a vinda da instituição para outros municípios que também reivindicam a instalação. A declaração foi feita ontem pelo reitor da PUC–PR, Clemente Ivo Juliatto, que participou da sessão da Câmara Municipal para expor aos vereadores os projetos que a PUC tem para Londrina.
‘‘A nossa preferência é por Londrina, mas isso vai depender do esforço das autoridades. Temos outras cidades do Norte e do Oeste do Estado que também querem o câmpus’’, afirmou Juliatto. Ele não quis revelar quais seriam os municípios que concorrem com Londrina, mas adiantou que Cambé manifestou interesse na instalação da instituição.
O projeto de lei sobre a desapropriação de um terreno já havia sido apresentado aos vereadores, mas foi retirado da pauta de votação por falta de fundamentação legal. Ontem, o reitor apresentou um projeto mais completo, com base no decreto 3.365 que dispõe sobre desapropriação de terreno com a finalidade de utilidade pública. Na semana que vem, o projeto será apresentado novamente aos vereadores.
A área que pode vir a ser desapropriada para a implantação do câmpus já foi escolhida, fica na região do Catuaí Shopping Center, zona sul da cidade, e tem 25 alqueires. Cada alqueire está avaliado em cerca de R$ 80 mil. A verba para a aquisição da área já está incluída no orçamento municipal de 2001, que deve ser votado pela Câmara.
Segundo Juliatto, a PUC é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos e por isso pode receber recursos municipais, estaduais e federais. ‘‘A PUC é uma instituição pública de gestão privada.’’ A implantação do câmpus depende também da aprovação do Ministério de Educação e Cultura (MEC). ‘‘Nossos contatos com o MEC foram bastante positivos e não temos dúvidas quanto a aprovação’’, explicou.
O reitor não revelou o valor do investimento que a instituição deve fazer em Londrina. ‘‘O terreno representa apenas 1% do que pretendemos investir aqui com recursos próprios e financiamentos’’, disse. Se aprovada, a PUC de Londrina vai funcionar provisoriamente no Colégio Marista com 420 vagas nos cursos de direito, ciências contábeis, secretariado executivo, administração e ciências da informação.
O primeiro vestibular está previsto para janeiro. O valor médio das mensalidades é de R$ 400,00. Cerca de 300 professores com mestrado e doutorado já apresentaram propostas para lecionar na instituição. O câmpus de Londrina será o terceiro do Estado. Além de Curitiba, a PUC mantém um câmpus em São José dos Pinhais.
Os vereadores se mostraram bastante receptivos à instalação do câmpus da PUC em Londrina. O vereador Célio Guergoletto (PMDB) disse que a preocupação maior não é com a desapropriação e a doação do terreno, mas sim com a maneira que a prefeitura vai pagar a desapropriação. ‘‘Desapropriar e tornar a área de utilidade pública é fácil, o difícil é honrar o compromisso. O prefeito precisa vir aqui nos esclarecer com que recurso vai pagar essa área’’, disse.

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