O telefone de Maura Almeida Martins, 29 anos, é público. Não que ela tenha generosamente cedido sua linha para quem precisar. Ao contrário. Foi a diarista quem ''adotou'' o orelhão de uso coletivo e, hoje, chega a sentir ciúmes quando vê o aparelho sendo utilizado por outras pessoas. ''O orelhão é como se fosse de casa. Quando preciso do telefone e tem alguém pendurado, fico bem ao lado, mostrando impaciência. Será que a pessoa não se toca que o telefone é nosso?!'', brinca.
Como Maura, milhares de londrinenses dependem exclusivamente dos orelhões para falar com parentes, fechar negócios e até pedir socorro em emergências. Esse amigo de tantas horas completou ontem 32 anos no Brasil, desde que foi inaugurado no Rio de Janeiro. A cabine em forma de concha ficou tão popular que, hoje, qualquer telefone público é chamado de orelhão.
Independente do formato da cabine, eles somam, em Londrina, 4.034 aparelhos, número que se mantém desde 2002 e representa uma média de 8,26 telefones públicos a cada mil habitantes. A Sercomtel comemora o número, que superou a meta estabelecida pela Agência Nacional de Telefonia (Anatel), de seis aparelhos a cada mil habitantes. A exigência de se manter um telefone público a cada 300 metros também foi cumprida, de acordo com o presidente da Sercomtel, João Rezende.
''Agora estudamos um processo de revitalização para melhorar a imagem dos orelhões, especialmente no Centro. Para isso, só estamos esperando a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) definir como vai ficar a ocupação dos espaços centrais'', afirma.
Apesar da boa cobertura pelas regiões da cidade, a democratização do uso dos telefones públicos ainda se depara com um obstáculo: o custo dos cartões telefônicos. Com a extinção dos cartões de 20 e 30 unidades, a única opção para os usuários é adquirir os cartões de 40 unidades, que chegam a custar R$ 5 em alguns pontos de venda.
''Tá muito caro, sempre que pode a gente liga a cobrar. Era melhor com ficha, você só comprava o quanto precisava'', diz Maura. ''Tinha que ter um cartão mais em conta, não é toda hora que você tem R$ 4, R$ 5 pra dar. O cartão não rende, você fala um pouquinho e já acabou!'', reclama a comerciante Regina da Rocha Escanez, da Vila Casoni (Região Central).
O presidente da Sercomtel sustenta que o custo de ''R$ 3,57 para 40 ligações (unidades) é baratíssimo'', e que ''com os cartões as pessoas têm, hoje, mais acesso aos telefones''. O preço citado se refere ao valor por atacado, e só vale para um mínimo de 10 cartões comprados diretamente nos postos da Sercomtel.

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