Público masculino delira com vitrine
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sexta-feira, 06 de junho de 1997
Lúcio Horta 
Paulo WolfgangNota dozeA modelo Gisele Moraes foi a grande atração, ontem: Muita gente pára e acaba entrando na loja para ver outras coisasRapaz do céu! É o máximo. De um a dez, ela vale nota doze, é coisa de louco, suspirou Sebastião da Silva, funcionário do Hospital Evangélico, quando parou na frente de uma loja de lingerie na rua João Cândido, área central de Londrina. A loja aproveitou o Sol - que resolveu aparecer na Cidade depois de vários dias de chuva e tempo fechado - para promover a chamada vitrine viva. Ou seja, ao invés de um boneco vestindo roupas íntimas, quem estava atrás do vidro era uma modelo em carne, osso e muitas curvas.
Maravilhoso, acho que tinha que ser sempre assim, apontava Marcos Pires, que também passava pelo local. Sem desviar os olhos da vitrine, ele admitiu que dava para perceber muito pouco da peça íntima vendida na loja. A gente até percebe, mas é a moça que chama mais atenção.
Marcos de Almeida, que via pela primeira vez uma vitrine viva, tinha a mesma opinião do xará. Está aprovado, a modelo, lingerie, tudo, garantiu. Do lado dele, o estudante Vinícios de Castro tinha os dois olhos saltados e mal conseguia falar. Tão real assim eu nunca tinha visto. Ainda bem que amanhã (hoje) eu não tenho aula, afirmava, já planejando um bom programa para sabadão de manhã. Um outro rapaz, que passava de carro, diminuiu a velocidade e perguntou à pequena multidão se a loja podia embrulhar a moça para presente.
Houve quem não tenha ficado satisfeito com a movimentação: algumas mulheres, clientes potenciais da loja. Eu acho que não tem nada a ver uma coisa com outra. Por que é que não colocam um bonitão aí na frente?, reclamava Neuza dos Santos, enquanto uma colega afirmava: Se meu marido ficar olhando, eu mato!.
Do outro lado da vitrine, a modelo Gisele Moraes se divertia com o assédio das pessoas, principalmente os homens. Era a terceira vez que Gisele fazia esse trabalho; ela diz não ter constrangimento em ficar em local público com roupas íntimas. É tranquilo. E muita gente pára e acaba entrando na loja para ver outras coisas, observa.
Rogério de Borba, representante da marca de lingerie e promotor da vitrine, explica que o resultado desse tipo de trabalho é muito bom para empresa, principalmente em épocas como o Dia dos Namorados. A gerente da loja, Nina de Oliveira Silva, também gostou da experiência e já combinou repetir a dose hoje, das 9 horas até o meio-dia. Para quem não viu, é a última chance.


