Público heterogêneo comparte a mesma fé
Não é uma festa no apê - ao contrário, lá não vai rolar birita - mas quem constuma frequentar esse tipo de balada garante que o som costuma ir até ao amanhecer.
Animação que os 19 jovens mineiros querem conhecer no Hallel londrinense. Cada um deve desembolsar cerca de R$ 250,00 reais entre passagem, hotel e alimentação.
''Vamos a Londrina conhecer uma nova realidade e, principalmente, participar do módulo de música eletrônica'', afirma o analista de laboratório André Luiz de Oliveira, lembrando que na paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Patos de Minas, uma vez por mês é realizada a Cristoteca.
João Carlos da Paz Silva vai ao Hallel especialmente para ouvir um dos pregadores, o padre Roberto Lettiere, 42 anos, fundados da Toca de Assis.
O exemplo do religioso transformou a vida de jovens como Silva, noviço que há quatro anos cuida de moradores de rua e que vivem em adoração perpétua ao Santíssimo Sacramento numa missão itinerante do anúncio do Evangelho.
Natural de Brasília, Silva conta que desde criança quis ser padre.''Não revelava o desejo para a minha família. Quando comecei a trabalhar num grupo de jovens, tínhamos um contato com moradores de rua. Conheci a fraternidade e escrevi para o padre, querendo entrar. Falei com os meus pais, que não aceitaram. Na época tinha 17 anos e precisava da autorização deles para ir para a Toca de Assis. Eles não quiseram me dar autorização. Fui ao cartório, autentiquei um documento e pedi para que assinassem. Eles assinaram sem ler. Disse apenas que era um documento importante. Ao descobrir, o meu pai quebrou tudo dentro de casa. Faz quatro anos que estou na Toca e até hoje ele não aceita a minha vocação''.
Não é só na vida religiosa que os jovens estão se encontrando com a fé, mas também em profissão seculares. Os estudantes de fonoaudiologia e namorados, Hugo Leonardo Marçal Camillo, 20 anos, e Jerusa Maria da Costa, 21 anos, uniram mais do que o útil ao agradável, mas as economias, investindo num estúdio musical.
O estúdio tem 10 meses e foi montado num quarto nos fundos da casa da jovem.
''A Jerusa pagou a primeira parte do negócio. Eu arrumei um emprego e parcelamos o restante da dívida com a compra de equipamentos'', lembra Camillo.
''Queria trabalhar na Igreja com música, que é uma coisa que gosto muito'', ressalta o rapaz que, atualmente, realiza gravações de CDs demos, produz arranjos e aluga o espaço para ensaios de bandas e cantores católicos. (F.L.)





