Passar o domingo no parque foi o melhor programa do londrinense ontem, aproveitando o período de exposição. O Parque de Exposições Governador Ney Braga reuniu raças, cores e gostos diferentes: branco, negro, pobre, rico, mestiço e até estrangeiro.
Dorico da SilvaAté as crianças
que foram ao
Parque aderiram
à moda ‘country’Este é o caso do iugoslavo da Sérvia Zoran Cvijetihovic, que vive em Sambor, a cerca de 180 quilômetros de Belgrado. Ele visita o Brasil com a mulher, a brasileira Ana Cláudia Gomes Oliveira, e os dois passaram o domingo no parque, que sedia a 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Cvijetihovic disse que na Sérvia também há exposições agropecuárias. Mas no Brasil é diferente e mais divertido. ‘‘Estou achando tudo muito bonito e interessante’’, disse o sérvio em ‘‘portaliano’’ (português misturado com italiano), acrescentando que sua grande expectativa era assistir ao rodeio, à noite.
O casal saiu da Sérvia antes do início dos bombardeios, mas tem informações da família dando conta de que até agora os ataques atingiram apenas áreas estratégicas, como aeroportos, pontes e instalações militares. Para o sérvio, o ataque da Otan (Tratado do Atlântico Norte, que reúne os países da Europa Ocidental e os Estados Unidos) à Iugoslávia é ‘‘um absurdo’’. Cvijetihovic destaca que a tentativa de independência do Kosovo pela população de origem albanesa representa o mesmo que a comunidade nipo-brasileira do Norte do Paraná, hipoteticamente, desejar a criação de um país na região.
A mulher do sérvio espera o primeiro filho do casal para setembro. Segundo Ana Cláudia, se até lá acabar a guerra, o bebê vai nascer na Sérvia. Caso contrário, nascerá no Brasil ou na Itália, onde ela viveu durante uma década e ainda mantém casa.
Dorico da SilvaAlegriaO Parque de Diversões é uma das grandes atrações da Feira e o preferido das crianças e adolescentes; já os jovens transformam o Parque em uma passarelaLícia Camargo Ferraz, que acompanhava o casal, é usuária de cadeira de rodas e também estava se divertindo na tarde de domingo. Ela disse que não sente nenhuma dificuldade. Nem para chegar nem para se locomover no parque. ‘‘Há estacionamento especial para deficientes físicos e aqui dentro é muito divertido. Não há dificuldade’’, disse.
Alexandro Celestino, 21 anos, e Sílvia Letícia, 25, são recém-casados e não têm filho. Mas foram ao parque com quatro crianças: Filipe, 4, Carlos Henrique, 5, e Fernanda, 8, (irmãos de Sílvia) e Karen, 5, (irmã de Alexandro). ‘‘É muito divertido vir ao parque e trazer as crianças’’, disse Sílvia. ‘‘Pena que é tudo muito caro. A começar pelo ingresso’’, emenda Alexandro. Ambos trabalham em um supermercado e reservaram 30% do salário mínimo para passar o domingo no parque.
Adair Fernandes, a mulher Marta e os dois filhos moram em Curitiba há quase 20 anos. Todos os anos eles procuram visitar a família em Londrina no período da Exposição. ‘‘É uma boa oportunidade de lazer, além de que aproveitamos para observar a comercialização do gado’’, disse Adair, esclarecendo que trabalha na Capital com o comércio de carne. ‘‘Os preços dos leilões sempre repercutem no balcão do consumidor’’, observa.
Dorico da SilvaEstrangeiroO iugoslavo Cvijetihovic esqueceu a guerra e ‘curtiu’As estudantes Sandra Mara de Azevedo, 17 anos, e Catarina Rodrigues, 16, se produziram para passear entre os pavilhões de gado e industriais. ‘‘Todo o mundo da cidade está no parque. Quem sabe a gente não encontra o príncipe, em seu cavalo branco’’, confessou Sandra.
O domingo no parque é realmente uma festa. Reúne crianças e adultos, senhoras e senhores, moças e rapazes. As crianças brincam no parque de diversões, comem cachorro-quente e quebra-queixo e chupam sorvete. As moças transformam o recinto numa passarela. Os rapazes exibem botas, chapéus e cinturões de caubói. Os casais de namorados giram na roda-gigante como se o parque fosse só deles.
As pessoas de menor poder aquisitivo dão prioridade para o parque de diversões. Os mais ricos, para os pavilhões e recintos de leilões de gado e estandes industriais. Os primeiros querem apenas se divertir e sonhar. Os segundos, realizam os sonhos, fechando bons negócios. Todos juntos fazem da Exposição de Londrina uma das três mais importantes do País.

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