Londrina - Os brechós de bairros atraem uma clientela bastante diversificada, inclusive de outras regiões da cidade. Zeila Sebastiana de Almeida, de 51 anos, proprietária do Brechó Capricho, localizado no Conjunto Cafezal (zona sul), destacou que tem muitos clientes de bairros vizinhos, como o Ouro Branco e o Vivendas do Arvoredo, e também estudantes da Universidade Estadual de Londrina. "Tem muitas estudantes de moda, psicólogas e professoras que vêm aqui para comprar roupas", revelou. A quantidade de mercadorias na loja impressiona. São cerca de 19 araras com cerca de 100 peças cada e várias outras estantes com itens dobrados. "Além das roupas usadas para vender tenho roupas de festa para alugar e também customizo algumas delas", enfatizou.
Zeila observou que quem não conhece a loja acredita que o movimento de brechós em bairros longe do centro é menor, mas enfatizou que isso não é verdade. "Já aconteceu de clientes deixarem para comprar no dia seguinte e não acharem mais a roupa que tinham visto no dia anterior", destacou. Segundo a proprietária, a ideia de vender roupas usadas surgiu quando ela e o marido tinham uma loja de móveis usados no centro. "Aos poucos fui adquirindo as roupas e colocando em um canto da loja, até que o mercado de móveis usados ficou ruim e resolvi montar a loja de roupas usadas. Já estou há 20 anos no negócio", contabilizou.
Na Avenida Saul Elkind existe um lugar chamado Breshopping e que é comandado pelo trio Renata Martins, 42, Roberta Cristina Munhaini de Souza, 42, e Suleima Pereira, 44. Segundo Renata, o comércio surgiu há quatro anos e começou com as roupas usadas de familiares como estoque inicial. "No início, a Roberta achava que não ia dar certo, mas aos poucos ela viu que o negócio tinha futuro. Hoje atendemos pessoas do próprio bairro e de outros mais distantes como o Jardim Bandeirantes (zona oeste), do Conjunto Vivi Xavier (zona norte) e até da Gleba Palhano (zona sul). "Tem uma mulher da Gleba Palhano que só compra roupas boas aqui. Ela vem todos os sábados", revelou.
O proprietário de um brechó na Avenida Duque de Caxias, próximo ao cruzamento com a Rua São Salvador (região central), José Camilo, 64, está há 24 anos no mesmo ponto atendendo clientes da zona norte e da região central. No início, as roupas vinham de São Paulo. "Comprava cargas fechadas. Pedia somente as quantidades de calças e de camisas sem saber a qualidade dos produtos. Perdi muita mercadoria porque tinha muita coisa velha que não vendia", afirmou.
Para ele, a propaganda é a alma do negócio. "Depois que comecei a fazer propaganda daqui as pessoas começaram a aparecer. Uma vez, um sujeito me vendeu um tênis do tamanho 52 que eu não queria comprar. Aí ele me falou que não era para revender, mas para chamar a atenção das pessoas. E deu certo. Coloquei na frente de minha loja e as pessoas vinham em frente da minha loja só para fotografar o tênis. Na época, até apareci na Folha de Londrina", relembrou. (V.O.)

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