Publicidade ousada agride conservadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 1998
Adriana Ribeiro 
Fazer campanha publicitária para a população de Curitiba pode ser um negócio arriscado, principalmente quando se trata de nudez e sexo. Nestes casos, normalmente, a propaganda acaba caindo em desgraça com grande parte das pessoas, ficando a um passo de virar caso de polícia. Motivo: o conservadorismo dos que se sentem agredidos.
A proibição de duas campanhas nos últimos dois meses é uma prova da existência da queda-de-braço entre anunciantes, publicitários e a população. As duas, de roupas para jovens, foram exibidas em outdoors.
A primeira, da marca Bunnys, trazia fotografias da bunda de uma mulher e de um homem, nus. Exibida entre os dias 15 e 31 de maio, a campanha acabou ficando sem um de seus painéis, instalado em frente ao Colégio Bom Jesus, no centro da cidade. O padre pediu para que o outdoor fosse retirado porque o achou obsceno, conta o gerente da loja Bunnys do Shopping Mueller, Giuliano Andrade.
Mauro FrassonA palavra fucking do outdoor acabou sendo substituída por viagra, mantendo o mesmo tom da propaganda anterior e provocando mais comentários em função da trocaMas não foi apenas o padre que não gostou do outdoor. Muitos clientes da loja também fizeram comentários, uns contra e outros a favor. Uma pessoa que preferiu não se identificar chegou a enviar uma carta anônima dizendo que a campanha era vergonhosa e imoral.
A segunda campanha gerou mais discussões e acabou sendo proibida pela Secretaria Municipal de Urbanismo. Lançada pela empresa que detém a marca Psico Street, foi feita através de dez outdoors que traziam a frase Fucking Everyday (Transando todos os dias). Depois de denúncia de um cidadão, a empresa que instalou os painéis foi obrigada a eliminar a campanha. Para não perder totalmente a publicidade, a saída foi cobrir a frase com papel branco. A chefe do Setor de Publicidade da Secretaria de Urbanismo, Cláudia Cavatorta, diz que a decisão da prefeitura está amparada em lei municipal que proíbe a publicidade que atente contra a moral e os bons costumes.
Mauro FrassonCristiane Marques Nascimento, 23 anos, secretária: Não tenho nada contra as campanhas publicitárias que falam de nudez e sexo. Acho que o preconceito existe entre as pessoas mais velhas e as menos informadas. Na verdade, acho que algumas publicidades são criativas e até cômicas.
Mauro FrassonRafael C. Lopes, 18 anos, estudante e professor de Inglês: Não se pode condenar as campanhas publicitárias, porque é preciso ter liberdade de expressão. A censura não pode voltar nunca.
Mauro FrassonLuiz Sacoman, 43 anos, engenheiro: Não faço restrições a nenhuma campanha publicitária. As coisas existem e cabe a cada pessoa decidir. Se não gosto de algum programa de TV, desligo. Faço isso também com meus filhos. Afinal, a educação sou eu quem dou e não será uma publicidade que vai mudá-la.
Mauro FrassonMaria Miotto, 75 anos, aposentada: Não sei se essas coisas são feias ou bonitas, mas sei que não gosto. Acho que hoje está tudo muito liberal, muito diferente do meu tempo. Já não me lembro muito, mas sei que era diferente, e não tinha tanta violência e nem tanta carência como existe hoje. Antes era melhor.A proibição de duas campanhas é prova da existência da queda-de-braço entre anunciantes, publicitários e a população
Marcelo AlmeidaMudançaO primeiro painel da Psico Street foi censurado pela Prefeitura com base em lei que proíbe publicidade que atente contra a moral e os bons costumesUm padre do Colégio
Bom Jesus pediu a
retirada de um
outdoor da Bunnys


