Psquiatra diz que operação em bares não reduz criminalidade
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terça-feira, 20 de abril de 1999
Luciana Pombo 
O psiquiatra Guilherme Azevedo questionou ontem os resultados das fiscalizações e fechamento de bares em Curitiba e região metropolitana. De acordo com ele, o simples fato de se fechar os estabelecimentos que não têm alvará não irá reduzir o alto índice de criminalidade envolvendo pessoas embriagadas na cidade. Dados da polícia apontam que 64,7% dos crimes contra a vida ocorrem nos bares ou envolvendo pessoas que estiveram neles. Não podemos colocar a culpa da criminalidade nos bares, temos que estabelecer limites e mudar a tolerância que temos em relação aos menores de idade, afirmou Azevedo, que atua no tratamento de dependentes químicos na Clínica Nova Esperança.
Segundo o psiquiatra, não existe uma fiscalização rigorosa nos bares da cidade que, apesar da legislação, continuam vendendo bebidas alcóolicas para adolescentes. Vemos adolescentes de 12 anos que procuram ajuda por estar com sérios problemas em relação ao álcool, disse ele. Entre os dependentes químicos tratados na clínica, quase 100% dos pacientes tiveram problemas com o álcool e 90% dos que usavam drogas também bebiam. Fala-se muito sobre o problema das drogas, mas esquecemos o alcoolismo que traz muito mais mortes e prejuízos, contou Azevedo.
De acordo com Azevedo, o álcool inibe o aprendizado social da pessoa e prejudica o juízo crítico. A pessoa se libera e tem comportamentos inadequados, em alguns casos, ela pode desenvolver a agressividade, salienta. Além da fiscalização adequada, Azevedo orienta para que os órgãos estaduais e federais ajam de forma preventiva, com campanhas de educação atuantes em todo o País. Temos que chegar nas escolas e alcançar os familiares, orientou.
Campanha - O Conselho Nacional de Entorpecentes (Conen) realiza campanhas educativas em escolas da cidade. Cursos mensais também são ofertados para associações que se interessem pelo tema. O Conselho ainda mantém o programa Amor Exigente, dirigido a familiares de pessoas com problemas de alcoolismo e drogas. Segundo o secretário-executivo do Conen, Olien Zétola, 200 pessoas participam do programa e aprendem a buscar solução para os familiares. Temos que substituir a permissidade por educação, afirmou Zétola.


