''A internação é um método de mais de 200 anos que sempre se mostrou ineficaz, com consequências perversas. Ela ocasiona um comportamento violento do paciente, separações familiares e abandono''. Esta é a opinião do psiquiatra Paulo Amarante que, desde o início desta semana, está ministrando curso de atualização em saúde mental e atenção psicossocial, voltado a profissionais de Londrina. O curso, realizado no anfiteatro da Maternidade Municipal Lucilla Ballalai (área central), termina amanhã.
Doutor em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz e com atuação no Ministério da Saúde e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Amarante pretende reforçar, aos 60 participantes do curso, um conceito recente de atendimento aos pacientes portadores de transtornos mentais, distinto da visão clássica de que o melhor tratamento é sempre a internação. ''O doente não é a princípio agressivo, nem insensível ou incapaz de viver em sociedade'', aponta Amarante.
O psiquiatra cita que existem no Brasil atualmente 60 mil pessoas internadas em hospitais psiquiátricos, o que consome R$ 450 milhões por ano do Sistema Único de Saúde (SUS). O psiquiatra apregoa que o método ideal de atendimento passa pelo modelo dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Dentro dele, o paciente mora com a família, recebe medicamentos e acompanhamento em psicoterapia e socioterapia, através de práticas socializantes. ''É um tratamento mais sensível'', afirma.
De acordo com Amarante, o Brasil tem atualmente 450 Caps, que atendem cerca de 10 mil pacientes. Ele frisa, porém, que os números estão se invertendo. ''No início dos anos 90, eram 80 mil internados e apenas 10 Caps. A curva do número de internações está na descendente'', afirma. Para ele, o fenômeno está relacionado a uma maior conscientização dos profissionais e das famílias.
A coordenadora do atendimento ao adulto do Caps de Londrina, Rosita Emília Fodra, explica que o município ainda acompanha a proporção nacional entre os dois métodos. As duas instituições de internação psiquiátrica da cidade oferecem cerca de 300 leitos. Por seu lado, o Caps (da Secretaria Municipal de Saúde) atende aproximadamente 90 pacientes por mês, em tratamentos intensivo e semi-intensivo.
''O município deve estimular a diminuição de leitos de internação de forma gradual, para que tudo seja feito dentro da legalidade. Ainda existem muitos profissionais e setores da população que acreditam que o internamento é a melhor solução'', relata a coordenadora. Atualmente, a Prefeitura conta com três instituições para atendimento em saúde mental: o Caps I, para crianças e adolescentes, o Caps III, para adultos, e o Espaço Vida, para adolescentes usuários de álcool e drogas.

mockup