A psicoterapeuta Renata Graner, que tem especialização clínica em crianças e adolescentes, defende que marcas no corpo, como piercing e tatuagem, podem estar relacionadas com a dificuldade de delinear os limites do corpo. Ela lembra que muitos pais hoje em dia têm medo de falar não aos filhos, dificultando a construção da imagem do corpo. ''A criança precisa saber que não pode tudo. Isto a ajuda a se conter em determinadas situações'', afirma.
Segundo a psicoterapeuta, muitos precisam de atributos externos na adolescência para ajudar na reconstrução de sua imagem, que é construída na primeira infância. Ela lembra, porém, que vive-se uma época de maior permissividade e as regras variam de família para família. ''Eu, se fosse educadora, procuraria me aproximar destes adolescentes para tentar entendê-los, ao invés de simplesmente proibir.''
Mesmo não conhecendo detalhes do conflito na escola, Renata acha que tanto família como instituição podem ter errado. ''Tanto que não se conseguiu chegar ao diálogo, um problema comum na sociedade moderna.'' Ela questiona também o resultado deste embate para a própria adolescente. ''Como fica a cabeça desta aluna, vendo duas autoridades, que deveriam ter mais clareza das coisas e um discurso coeso, brigando por causa dela?''
Para a psicoterapeuta, esse tipo de situação cria dois perigos: de fazer com que o adolescente sinta-se onipotente, a ponto de fazer duas autoridades se desentenderem por causa dele; ou de levá-lo a não ter mais respeito pela escola, já que está desautorizando-a com o consentimento da família. ''Quando eu me deparo, no consultório, com pais que discordam da escola dos filhos, recomendo que uma solução seja buscada longe da criança ou do adolescente. Jamais a escola deve ser criticada perto do filho, e vice-versa. É preciso respeito e abertura para o diálogo de ambas as partes.'' (S. L.)

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