Psicólogo propõe integrar especiais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de setembro de 1997
Curitiba 
DivulgaçãoIntegraçãoPamplona: Não há razão para excluir alunos ou segregá-los. Os conflitos cognitivos são construtivos e levam ao crescimento intelectual. A solução está na transformação do ensino, na preparação dos professores para trabalhar as potencialidades das crianças, envolvendo os níveis intelectual, emocional e psicológicoDificuldades eventuais no aprendizado da leitura e da escrita não são determinantes da inteligência das crianças. A afirmação é do psicólogo paulista Antonio Pamplona, que fez palestra ontem para educadores da rede municipal de ensino na Semana de Estudos Pedagógicos sobre Educação Especial. Ele disse que as dificuldades de aprendizagem podem ser apresentadas tanto por crianças ditas normais como por aquelas portadoras de necessidades especiais.
A Semana de Estudos Pedagógicos está sendo promovida pela Prefeitura de Curitiba para aprofundar estudos sobre educação especial e preparar os professores para atender melhor os alunos. Até sexta-feira, estarão reunidos no Teatro Fernanda Montenegro mais de mil educadores do Ensino Especial Municipal e professores de escolas regulares da rede municipal de ensino. O objetivo do encontro também é discutir a inclusão dos portadores de necessidades especiais nas escolas regulares.
Pamplona abordou detalhadamente a relação entre a consciência de que as palavras são constituídas por sons (consciência fonológica) e as dificuldades da leitura apresentadas por determinados alunos. A leitura e a escrita não têm ligação direta com a inteligência, disse o psicólogo ao lembrar que Einsten e Pablo Picasso tinham dificuldades para ler e escrever e Agatha Christie foi considerada deficiente pela família por não saber ler nem escrever até os 16 anos de idade.
A normalidade está ligada a padrões estabelecidos por questões culturais, que variam no tempo e até por regiões. Logo, não há razão para excluir alunos ou segregá-los. Os conflitos cognitivos são construtivos e levam ao crescimento intelectual. A solução está na transformação do ensino, na preparação dos professores para trabalhar as potencialidades das crianças, envolvendo os níveis intelectual, emocional e psicológico, destacou.


