Psicólogo faz análise social do jogador
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de setembro de 2000
Marta Medeiros De Maringá 
O grande objetivo de quem aposta em jogos é se livrar do trabalho e de qualquer obrigação que o leve a lutar desesperadamente pela sobrevivência. A explicação pode parecer simples, mas representa a realidade das pessoas que de forma sistemática ou não, apostam ou se submetem a competições para ganhar dinheiro.
A análise é do psicólogo Marcos Maestri, que aborda o assunto por uma perspectiva social e lembra que, infelizmente, o jogo se transforma, muitas vezes, na única esperança daquele que acorda na segunda-feira para ir trabalhar.
Segundo Maestri, as crises econômicas e sociais aumentam nas pessoas a busca por soluções rápidas de como ganhar uma grande quantidade de dinheiro em uma só tacada. Além das crises, a atual formação de caráter individualista não condiz com a principal característica do homem, que é viver em um grupo social.
As pessoas crescem sendo cultivadas pelo individual, mas são obrigadas a trabalhar em equipe e em um mundo cuja exigência atual é a competição, observa Maestri.
Estes conflitos também levam à insegurança. Com isso a pessoa quer dinheiro não só para se livrar do trabalho, porque sabe que não vai ficar rica trabalhando, mas também para exercer o individualismo e se isolar da convivência social, explica o psicólogo.
Maestri lembra que a primeira resposta de quem está na expectativa de ser o ganhador da Mega Sena é de abandonar o trabalho ou o emprego e sair viajando pelo mundo.
A necessidade de apostar e ganhar uma bolada, conforme o psicológo, está em todas as classes sociais. O patrão também participa de um bolão da Mega Sena pensando que com aqueles milhões irá salvar a empresa e conquistar a liberdade, se livrando dos empregados e de toda a obrigação de manter um status social e econômico, define Maestri.
Para o psicológo, a decadência de apostas como o jogo-do-bicho se deve principalmente ao baixo retorno financeiro quando comparado às loterias federais. As pessoas querem apostar ou competir em jogos que resolvam o problema da vida delas e fazem isso até de maneira inconsciente, diz o psicólogo.


