Psicóloga do Hospital do Câncer de Londrina e integrante da equipe de atendimento domiciliar da instituição, Michelle Moreschi explica que o atendimento psicológico a pacientes com câncer terminal e familiares visa dar a oportunidade de comunicação entre os entes mais próximos e, assim, quebrar a chamada ''conspiração do silêncio''.
Segundo ela, é comum as pessoas não conversarem sobre a iminência da morte. ''A psicologia trabalha para permitir que se fale sobre o assunto'', diz. Um dos focos é terminar as chamadas ''tarefas inacabadas'', que envolvem desde assuntos burocráticos até questões afetivas mal-resolvidas. Além de melhorar a comunicação entre familiares e doentes, a psicologia também facilita a despedida.
O médico Luis Fernando Rodrigues acredita que, se no século passado o grande tabu da humanidade foi o sexo, o maior tabu do século XXI é a morte. ''Cada vez mais as pessoas querem ser donas do processo de morrer, o que inclui a possibilidade da escolha pelo morrer em casa'', diz. (C.A.)

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