Psicologia preventiva busca o equilíbrio do corpo emocional
Silvana Leão
De Londrina
Melhorar a saúde dos pais para evitar as doenças dos filhos. Este é o objetivo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela psicóloga Margareth Alves em algumas escolas particulares de Londrina, e que deverá ser intensificado no ano que vem. É a chamada psicologia preventiva, uma forma de aplicação da ciência que deverá torná-la mais acessível nos próximos anos.
Mais do que tratar os males instalados, a idéia é melhorar o convívio e a dinâmica familiares, quebrando o ciclo de repetições na busca por qualidade de vida. Para isso, afirma a psicóloga, os pais também precisam resgatar sua própria história. Na semana passada, Margareth Alves proferiu palestra a pais de alunos da Escola Vagalume abordando o tema Nosso corpo emocional, e falou da estreita relação da afetividade com o aspecto físico.
O assunto não é novo. A própria homeopatia já trabalha há muito tempo com o princípio do equilíbrio como forma de prevenção. Na psicologia, porém, não é tão comum como poderia. Meu objetivo para o ano 2000 é trabalhar inclusive com gestantes e com a relação entre pais e filhos nos primeiros anos de vida, na tentativa de prevenir possíveis traumas e registros negativos que podem resultar em problemas na vida adulta, afirma a psicóloga.
Ela lembrou que a educação começa no ventre, e que a consciência de que a vida de uma pessoa pode ser determinada a partir da barriga de sua mãe dá um novo sentido à gestação e ao parto. A auto-estima de uma pessoa começa a ser trabalhada no momento da concepção. A gestação é o momento de construção dos alicerces da vida do ser humano, por isso costumamos dizer que uma gravidez conturbada gera rachaduras emocionais.
Segundo Margareth Alves, cerca de 90% das doenças têm algum fundo emocional. São as doenças psicossomáticas, também chamadas de expressão dos males da alma. Ela cita o rancor como um fator de peso. Pessoas que guardam mágoas por muito tempo tornam-se frias e têm mais predisposição a desenvolver doenças. Mágoas não trabalhadas se transformam em raivas, que evoluem para ódio, um sentimento negativo que acaba desencadeando patologias.
O melhor remédio para isso é o que ela chama de amorização ou resgate das relações através da afetividade. É o olhar para outro com mais amor, procurando compreender suas limitações no momento do erro, mesmo que não seja possível aceitá-lo. O grande desafio do homem moderno, dentro desta filosofia, é o equilíbrio entre os três aspectos fundamentais do ser humano: emocional, corporal e espiritual.
Entre os distúrbios psicossomáticos mais comuns citados pela psicóloga estão os respiratórios (como asma, bronquite, rinite); os problemas de pele (praticamente todos); endócrinos (como hipertiroidismo e diabetes); cardiovasculares (pressão alta, infarto, derrame); complicações no aparelho reprodutor (ausência de menstrução, tensão pré-menstrual, entre outros) e no aparelho digestivo (úlcera, doenças do cólon). Os vários tipos de câncer e problemas na coluna também podem ser incluídos nesta lista.





