Psicologia Infantil
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terça-feira, 07 de janeiro de 2003
Phoenix Finardi<br>Reportagem Local 
Londrina - Edimilson passou na cozinha, abriu uma cerveja gelada, sentou na frente da TV e se preparou para assistir o jogo do Timão. A mulher tinha ido na reunião do condomínio e ele ficou cuidando do filho Joel, de 3 anos. ''Vou dar mamadeira e deixar ele dormindo. Você pode assistir seu jogo sossegado'' garantiu a mulher.
Foi só começar o primeiro tempo e o garoto acordou.
- Que foi filho?
- Quero a mamãe. - Mamãe saiu, já volta. Papai tá aqui com você. Vem cá, vamos assistir futebol com o papai lá na sala.
- Quero fazer xixi.
- Tá bom, eu levo você.
O primeiro gol saiu enquanto estavam no banheiro. Correndo com o garoto no colo, Edimilson conseguiu ver o replay. Minutos depois, Joel dormia na poltrona. Com cuidado para não acordar o menino, Edimilson colocou o garoto novamente na cama. Quem sabe agora ele assistia o segundo tempo em paz...
Dois minutos do segundo tempo e o choro recomeça no quarto.
- O que foi agora, Joel? - Estou com medo do monstro. - Monstro? Que monstro? Aqui não tem monstro nenhum, filhinho.
- Tem sim. Fica escondido embaixo da cama.
- Deixa eu ver... não tem nada aqui, Joel. Desconfiado, o menino desceu e foi também olhar embaixo da cama.
- Pronto, deita aí, fica quietinho e dorme que o papai tá ali na sala, tá bom? Vou deixar a luz acesa.
O centroavante faz um drible maravilhoso e avança com a bola para a grande área.
- Pai... Olhos colados na TV, Edimilson range os dentes.
- Papai, paiê... - Oi Joel. O que você quer agora?
- O monstro vai vir aqui e vai me comer.
- Já falei que não tem monstro nenhum.
O garotinho começa a fungar e os olhos ficam cheios de lágrimas. Edimilson resolve usar um pouco de psicologia infantil:
- Filhinho, vamos fazer o seguinte, a gente coloca uma comidinha aqui e quando o monstro vier ele come a comidinha e vai embora, tá bom?
- Tá. Cadê a comidinha?
- É comidinha de mentirinha, Joel, de faz de conta.
- Ah, não. O monstro é de verdade, tem que ser comida de verdade. Traz bolacha, ele gosta de bolacha. Com um ouvido na tv da sala, Edimilson corre até a cozinha e volta com o pacote de bolacha. - Essa não, papai. Ele gosta de bolacha de chocolate.
Outra corrida até a cozinha.
- Pronto filho, a bolacha tá aqui, papai vai colocar uns pedacinhos assim, no chão... GOOOLLL grita o locutor. Edimilson corre para a TV. Mais um replay.
No dia seguinte, a mulher reclama:
- Edimilson, já não falei que não pode deixar o Joel comer no quarto? Tá cheio de migalha de bolacha aqui no chão. - Deixa que eu limpo, diz Edimilson. E no quarto, com o filho:
- Olha aí Joel, não disse pra você que não tinha monstro nenhum? Olha a bolacha toda aí no chão... O pequeno, sem um pingo de remorso, olha a sujeira no chão e dá mais uma lição de ''sabedoria'':
- Pai, tem monstro sim mas é que ele só gosta de bolacha recheada.


