Vivian de Albuquerque
Uma redução de até 60% nos exames realizados em busca do diagnóstico das doenças e uma redução significativa no tempo de hospitalização. É isso o que garante um trabalho que já vem sendo feito nos hospitais da Bélgica há pelo menos 50 anos. Usando o atendimento de psiquiatras e psicólogos - paralelamente ao dos médicos - hospitais como o da Universidade Católica de Lovaina, vêm conseguindo resultados cada vez melhores no tratamento e recuperação de seus pacientes.
Quem garante é o psiquatra boliviano Jorge Serrano, que trabalha desde 1975 naquele país e que participa, em Curitiba, do VIII Encontro Nacional dos Psicólogos da Área Hospitalar.‘‘Nossa equipe é formada por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais’’, explica ele. ‘‘Geralmente atendemos pacientes que têm problemas qualificados como psicossomáticos, como é o caso da obesidade e das eczemas’’.
De acordo com Serrano, é normal o médico curar as dores do paciente sem ouvir o que ele tem a dizer. Procuram identificar uma doença pelos sintomas, mas jamais pensam que isso pode ter um fundo psicológico.‘‘Apenas escutando o paciente, nós conseguimos reduzir os exames em até 60%’’, garante. ‘‘O doente vai ao médico e diz que tem fortes dores no estômago. O médico pergunta para ele desde quando, mas não escuta que foi desde o domingo, quando ele brigou com a esposa. E a causa pode ser justamente esta, a briga. Por isso trabalhamos facilitando este contato entre o médico, o paciente e a própria família’’.
Atendimento, que segundo o especialista também contribui para diminuir o chamado ‘‘nomadismo médico’’. Ou seja, confiando no médico que sabe ouví-lo, o doente não tem necessidade de procurar por outro. E o tratamento ganha principalmente no que diz respeito ao tempo.
Experiência brasileira-Uma referência no atendimento a crianças, o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, de Curitiba, é outro que também já aderiu à integração de psicólogos e médicos no atendimento aos pacientes. O serviço existe há 17 anos, e o resultado tem sido uma diminuição no tempo de internação das crianças que chega aos 50%.
‘‘Isso ocorre porque o nosso serviço ficou mais humanizado’’, explica uma das seis psicólogas do hospital, Giseli Cipriano Rodacoski. ‘‘Antes, quando a criança era internada, ela tinha a sua rotina quebrada no hospital. Hoje, trabalhando junto aos médicos, já conseguimos fazer com que isso seja bem diferente’’.
Um exemplo é o do programa Família Participante, implantado desde que foi lançado o novo Estatuto da Criança e do Adolescente. Durante todo o dia e também à noite, a criança é acompanhada por um dos pais, que recebe um treinamento para inclusive ajudar no atendimento feito por médicos e enfermeiras. ‘‘Todo esse processo é discutido entre a nossa equipe inter-disciplinar’’, explica Giseli. ‘‘Com os resultados, nós psicólogos acabamos aprendendo um pouco da clínica, enquanto os médicos e enfermeiros absorvem um pouco da psicologia’’, conclui.

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