A psicóloga Margarete Regina Alves, de Maringá, protocolou ontem na prefeitura de Londrina, com cópia encaminhada ao prefeito Antonio Belinati (PDT), pedido de cancelamento do concurso público realizado este mês para contratação de psicólogos. O motivo é que a organização do concurso não respeitou um item do edital de convocação, que estabelecia a nota 3,5 como mínima para classificação do candidato à segunda fase.
No concurso de psicologia, todos os oito classificados tiveram notas entre 3,0 e 3,4 - portanto abaixo do mínimo pré-estabelecido. O mesmo ocorreu com as provas de assistentes sociais, que também tiveram a nota mínima alterada para 3,0.
O resultado da primeira etapa do concurso - que no total oferecia 72 vagas em 16 cargos diferentes - foi divulgado dia 16 de junho no quadro de editais da prefeitura. Como não viu seu nome entre os classificados, Margarete quis saber qual teria sido seu desempenho na prova e procurou a organização do concurso.
A psicóloga estranhou também as notas baixas dos oito classificados. Ela questionou a organização sobre o item do edital que estabelecia a nota mínima e informa que que só teve acesso ao edital - e percebeu a irregularidade - depois que procurou saber sua nota.
Como resposta, a organização do concurso apresentou um outro edital que alterava a nota mínima da primeira fase do concurso de 3,5 para 3,0. No documento, assinado pela presidente da Comissão de Realização do Concurso Público, Valéria Galindo Carvalho, e com visto do secretário municipal de Recursos Humanos, Marcos Rogério Lobo Colli, a alteração é justificada considerando que ‘‘o número de aprovados na referida prova foi insuficiente para o provimento das vagas existentes.’’
Margarete Alves acredita que, se os candidatos não atingiram a nota mínima, a prefeitura deveria realizar outro concurso para preenchimento das vagas - e não alterar as regras do concurso depois que as provas já haviam sido corrigidas. Ela destaca que o edital alterando o valor das notas não foi publicado - e sim entregue em suas mãos - e está datado de 16 de junho, portanto um dia depois da correção das provas.
Margarete questiona o critério utilizado para baixar o valor das notas para 3,0, o que acabou privilegiando apenas oito candidatos. Ela conta que teve nota 2,6 na prova e viu algumas pessoas que tiraram 2,8. ‘‘Me senti prejudicada enquanto cidadã e o pedido de cancelar a prova é um direito meu.’’
A psicóloga diz também que a alteração na nota mínima não foi a única confusão ocorrida durante a realização do concurso. Ela lembra que, inicialmente, as provas da primeira fase estavam marcadas para o dia 7 de junho. Nesta data, porém, as provas foram distribuídos abertas e, por isso, os candidatos se recusaram a respondê-las. O concurso acabou sendo transferido para o dia 14.
Outro problema apontado pela psicóloga: o edital do concurso previa prazo de 24 horas, depois da divulgação do resultado, para o pedido de revisão da nota da prova. Mas o resultado saiu às 12 horas do dia 16 e, às 14 horas, a prefeitura fechava as portas, por causa do jogo do Brasil na Copa do Mundo. A diferença - entre às 14 e 18 horas - não teria sido compensada no outro dia.
No total, 246 candidatos disputaram as duas vagas de psicólogo oferecidas pela organização. Apenas os oito classificados participaram da segunda fase do concurso - prova de títulos -, realizada em 17 e 18 de junho.

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