Psicóloga sugere ensinar em vez de prender
As diferenças culturais podem chocar. O que é normal em determinada cultura, pode parecer agressivo em outra. Para a doutora em Psicologia Clínica do Centro de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria Luiza Marinho, o ato em si pode causar estranheza para os outros, mas pode não causar dano, dependendo da forma como a criança é criada. ''Tudo vai depender da forma como essa mãe trata a criança. Se ela é carinhosa, cuida bem do filho, a atitude de mantê-la presa pode não significar muito. É apenas uma forma de manter a criança junto dela, como ela mesma explicou''.
A psicóloga afirma que o ser humano é afetado mais pela situação e que o agravante, neste caso, é o fato da criança ser negra e a mãe branca, apesar do menino ser filho natural da mulher. ''Na nossa cultura não é comum que crianças negras sejam criadas por pais brancos. Numa situação como essa, onde a criança é mantida 'presa' à mãe, é possível que ela seja alvo de chacota por outras pessoas, o que prejudica ainda mais o seu desenvolvimento. Será mais uma dificuldade que a criança vai enfrentar. No contato social, tanto a criança como a mãe podem sofrer o distanciamento das pessoas''.
Para uma pessoa que educa uma criança negra, a psicóloga considera que deve haver todo um cuidado para que ela não seja estigmatizada. ''O fato de ser um branco conduzindo um negro dessa forma remete à escravidão, onde o negro era escravo e vivia amarrado. Isso choca as pessoas. Ver uma criança negra amarrada à pessoa branca, choca ainda mais''.
A psicóloga considera que é preciso entender os motivos da mãe estar agindo desta forma. ''Até quando ela pretende andar assim com a criança? Hoje o filho é pequeno, não entende o comportamento das pessoas. Mas e quando ele for maior?'', questiona.
Maria Luiza considera que a mãe precisa observar como essa atitude pode estar colocando o filho dela na função de ser estigmatizado. ''Ela pode estar fazendo isso sem maldade, mas como o ambiente social pode estar vendo isso? Mãe e filho terão que lidar com o olhar dos outros'', alerta.
A psicóloga observa que existem formas mais saudáveis de manter a segurança e garantir a educação dos filhos. ''Existem maneiras melhores de fazer com que a criança aprenda a se comportar. Ensiná-la que é perigoso correr para o meio da rua, atravessar sem olhar os carros, por exemplo. Segurar na mão da criança. Da forma como essa mãe vem agindo, a criança perde a oportunidade de aprender a se comportar, porque a mãe tem o controle dela de forma física. Isso, com certeza, vai prejudicar o desenvolvimento da criança''.(M.O)





