Psicóloga diz que tudo começa dentro de casa
A psicóloga comportamental Maria Cristina Orcelli explica que, com a mudança de prioridades do mundo moderno, o desenvolvimento do trabalho mental se tornou mais importante que as atividades braçais. ''Apesar de certas profissões serem essenciais, realmente não são valorizadas. Essa situação se dá, principalmente, por questões culturais. Estamos acostumados a 'receber' e não a 'dar'. Deve haver, principalmente, uma mudança de mentalidade para a conscientização de que esses trabalhadores estão ali prestando um serviço e não para nos servir.''
Para ela, muito do comportamento das pessoas é fruto do que se aprende em casa. ''Se os pais não têm o costume de cumprimentar, agradecer aos empregados, será essa a postura adotada do filho também. Os pais são os responsáveis por passar o valor das pessoas. Devemos lembrar que atrás de qualquer profissional, vem antes um ser humano'', destaca.
Segundo a psicóloga, um dos fatores mais preocupantes está na inversão de responsabilidade. ''Mesmo com boas intenções de muitos educadores, não podemos transferir a responsabilidade da educação moral e de valores para as instuições de ensino. Lembremos ainda que a realidade de escolas públicas é bem diferente das particulares'', pontua.
Uma situação levantada pela psicóloga, bastante recorrente, é o próprio trabalhador envergonhar-se das atividades que desempenha. ''A pessoa deve ser a primeira a se valorizar, só assim vai despertar o devido respeito no outro.'' Mesmo assim, muitos dizem que os trabalhos normalmente braçais e técnicos são feitos por pessoas acomodadas. De acordo com Maria Cristina, a pegunta deve ser: se estão ou não satisfeitos com aquela condição. ''Se a pessoa está feliz em desempenhar aquelas funções, não há nada de errado. Devemos respeitar as escolhas de cada um. Para mudar, deve haver vontade''. (M.T.)





