Curitiba Estudos sobre jogos eletrônicos e internet demonstram que as crianças e os adolescentes estão deixando cada vez mais as práticas desportivas e o lazer para se dedicarem aos jogos e as conversas online. Estes mesmos jovens passam mais de quatro horas por dia em frente a televisão. Pensando cada vez mais na integração familiar, a psicóloga Lídia Weber, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e autora do livro ''Eduque com carinho: Equilíbrio entre amor e limites'', se diz favorável a leis que impeçam a frequência de crianças em lan houses e fliperamas.
Ela argumenta que os estudos de videogames são recentes, mas demonstram que o uso de violência está presente nos principais games e portanto não são educativos. Ela cita como exemplo um jogo lançado em 1993 com duas versões: uma violenta e outra incrivelmente sangrenta, onde o objetivo é decapitar ou arrancar o coração do adversário. Outros games incentivariam o uso de armas, motivariam o sequestro e até o roubo. A violência no trânsito também seria motivada com games que ofereceriam pontos para os usuários que atropelassem velhinhas e crianças. ''Estima-se que 80% dos games tenham conteúdos violentos'', relata.
Estudos americanos recentes revelariam que jogar videogames violentos leva a um comportamento agressivo. ''A era tecnológica trouxe o impacto visual e a possibilidade de alcançar milhões de pessoas ao mesmo tempo e, pela massificação do conteúdo, leva à banalização do comportamento agressivo'', complementa. A psicóloga diz ainda que as crianças ligadas aos games podem ter mais coordenação motora, no entanto não são mais inteligentes, nem mais críticas do que aquelas que aprenderam a brincar com bolinha de gude ou de esconde-esconde.
Outro efeito dos games no comportamento infantil seria a passividade. ''O espectador somente recebe imagens prontas ou reage com comportamentos repetitivos (videogame) onde não precisa pensar. Além disto, jogar videogame leva à excitação e, como a pontuação vem através de reforçamento intermitente, leva ao vício. Ou seja, parar de jogar é muito difícil'', explica.(L.P.)

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