PS tem movimento acima do normal
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Lucilia Okamura 
Pronto-socorros lotados, falta de leitos e atendimento acima da capacidade. Este era o quadro nos três maiores hospitais de Londrina ontem. Apesar de não ser dia de plantão no pronto-socorro, o Hospital Evangélico (HEL) permaneceu lotado ontem. O Centro de Terapia Intensiva (CTI) e a Unidade Coronariana estavam cheios e o PS estava à tarde com 14 pacientes internados. Até um transplante teve que ser suspenso por falta de área de isolamento.
O diretor clínico do HEL, Lauro Vargas Filho, informa que isso aconteceu porque no domingo e na segunda-feira eram dias de plantão no hospital. É o que chamamos de repique e isso acontece a cada 15 dias. A consequência é que o PS fica cheio de pacientes, observa. Agora vamos torcer para que amanhã (hoje) quando for nosso plantão no pronto-socorro, os pacientes tenham tido alta, caso contrário, cai a qualidade no atendimento, acrescenta.
Segundo Vargas Filho, o que aconteceu ontem vem mostrar que o hospital acertou quando não aceitou a proposta do Ministério da Saúde de realizar plantão ininterruptamente - 24 horas todos os dias. Depois um plantão de 24 horas, temos que tomar um fôlego para que os pacientes recebam alta, afirma. A Santa Casa aceitou a proposta e o início do processo está previsto para janeiro. O Evangélico possui 240 leitos, sendo 136 destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Vargas Filho defende a realização de um Fórum na cidade para discutir o modelo de atendimento no setor de saúde. Segundo ele, poderiam participar do encontro representantes dos hospitais, usuários, Ministério Público, entre outros.
No Hospital Universitário, o Pronto-Socorro teve que ser fechado, ontem, às 16 horas. A previsão era que o atendimento se normalizaria somente às 20 horas. Segundo informações do setor de internação do hospital, esse quadro vem se repetindo com frequência ultimamente. A Folha não conseguiu localizar o superintendente do hospital, Cláudio Camacho.
Ainda de acordo com informações do setor de internação, no final da tarde de ontem não havia leito disponível nas enfermarias e poucos leitos estavam disponíveis na UTI. O HU só estava recebendo casos de emergência.
Na Santa Casa, a situação não era diferente. No final do dia, pacientes estavam sendo internados em macas e cadeiras. Os atendimentos estavam, 120% acima da capacidade. O superintendente do hospital, Fahd Haddad, informou que havia 44 pacientes internados no Pronto-Socorro, que tem capacidade para atender 18.
Os cerca de 120 leitos disponíveis para o SUS nas enfermarias também estavam lotados. Segundo Haddad, é normal ocorrer isso na Santa Casa em dias de plantão. E as perspectivas são de aumento na procura, com o hospital integrando o Sistema Estadual de Referência em Urgência e Emergência. Trata-se de um hospital central e a procura é grande, comentou Haddad. Ele comentou que grande parte dos casos não é de atendimento em PS.
Nossa preocupação é que há necessidade de se criar um sistema de informação à população para usar o serviço de urgência e emergência e também é preciso melhorar a distribuição de internação, observou. Ele acrescentou que a Santa Casa terá um Pronto-Socorro no Mater Dei para atender pacientes de convênios e para liberar o atual PS para atendimento de urgência e emergência. (Colaborou Benê Bianchi)


