Lúcio Horta
De Londrina
A partir de 26 de dezembro, um dia após o Natal, o Hospital Evangélico de Londrina (HEL) vai deixar de prestar atendimento no pronto-socorro (PS) aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão, que pode agravar o já precário atendimento à saúde pública no município, foi anunciada ontem de manhã, em entrevista coletiva com toda diretoria do hospital.
O principal motivo do descredenciamento, segundo os diretores, é a defasagem existente entre os custos para manter a estrutura do pronto-socorro e os recursos repassados pela União. Eles destacaram que o pedido atinge somente o PS e não os outros atendimentos prestados ao SUS pelo hospital. O Ambulatório Alto da Colina, que faz parte do grupo e atende, segundo o HEL, nove mil pacientes/mês, também não sofrerá alteração.
‘‘Todo mundo tem um limite financeiro e é impossível o Evangélico atender desse jeito. Eu não tenho como dar o que não tenho’’, afirmou o reverendo Osni Ferreira, vice-presidente da Sociedade Evangélica Beneficente, entidade mantenedora do HEL. Segundo ele, o prejuízo mensal da instituição com o atendimento ao SUS é de mais de R$ 300 mil. Mesmo sem ter números de quanto o hospital vai economizar com a interrupção do pronto-socorro, ele assegurou que, se mantivesse o serviço, até o final do ano que vem a situação poderia provocar até o fechamento do hospital.
Para cada atendimento no PS, por exemplo, o SUS paga somente R$ 0,49. No caso do internamento, a diária hospitalar é de apenas R$ 6,00, valor que teria que contemplar despesas com cinco refeições, trocas de roupa de cama, medicamentos, atendimento especializado de médicos, enfermagem etc. A tabela de preços não sofre reajuste desde 1994. ‘‘Muitas das perguntas de vocês deveriam ser feitas para o governo de Estado ou ao presidente da República’’, acrescentou Osni Ferreira aos repórteres que participaram da coletiva.
Ainda segundo dados da instituição, o HEL atende cerca de 900 pacientes nos 15 plantões que realiza por mês atualmente, intercalados com os plantões da Santa Casa. Destes, apenas 30% realmente necessitariam de atendimento no pronto-socorro do hospital; os demais poderiam procurar diretamente ou os hospitais secundários da cidade (hospitais da Zona Sul e Zona Norte) ou então os próprios postos de saúde, nas regiões onde moram. Essa constatação é outro motivo que contribuiu na decisão do Evangélico.
‘‘Deixaremos de dar apenas o primeiro atendimento. Queremos reservar ao SUS os leitos que necessitam de alta complexidade, que é o papel de um hospital terciário. E também queremos dar a esse paciente o mesmo tratamento de um paciente conveniado ou particular’’, assegurou o diretor-clínico Jorge Cardoso. Além disso, ele informou que outra preocupação é evitar, com a interrupção, que o número de pacientes do pronto-socorro cresça de forma a prejudicar a qualidade do atendimento. ‘‘Não queremos dar um atendimento em condições subumanas, com pacientes em macas, no chão. Queremos dar um atendimento mínimo.’’
Sobre o impacto da decisão aos demais hospitais, os diretores se mostraram otimistas. Eles lembraram, por exemplo, de uma cartilha lançada pela Secretaria Municipal de Saúde orientando a população a procurar os postos de saúde ou hospitais secundários antes de ir aos hospitais maiores.Direção do hospital alega déficit mensal de mais de R$ 300 mil; descredenciamento é restrito ao Pronto-Socorro
Paulo WolfgangDESCREDENCIAMENTOOs diretores do Evangélico durante anúncio da medida que passa a vigorar no dia 26 de dezembro: ‘‘SUS dá prejuízo’’

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