A Santa Casa de Londrina mais uma vez chegou ao limite de atendimento no pronto-socorro e resolveu fazer um apelo à população: que só procure o setor em casos reais de emergência. Na porta de entrada do PS, um cartaz informa que só os casos graves serão atendidos.
‘‘Na prática, há muito tempo a gente vem trabalhando com superlotação no pronto-socorro, mas semana passada chegamos a colocar pessoas adultas em berços de criança para fazer o atendimento’’, diz o superintendente do hospital, Fahd Haddad. Diante da situação, a direção da Santa Casa decidiu enviar um comunicado a todas as rádios solicitando a colaboração da população para que não procurasse o PS para consultas.
De acordo com Haddad, dos cerca de 6,7 mil atendimentos mensais efetuados no setor, dos quais 90% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 60% são ambulatoriais. ‘‘Isso significa que praticamente 4 mil pessoas poderiam estar sendo atendidas em postos de saúde ou, na pior das hipóteses, em hospitais de atendimento secundário, como o da Zona Norte e o da Zona Sul’’, comenta o superintendente.
A Santa Casa também enviou comunicados à Autarquia Municipal de Saúde e à 17ª Regional de Saúde. ‘‘Queremos que os outros serviços prestem atendimento de forma mais facilitada. Há muita dificuldade para se fazer consulta com hora marcada nos postos.’’
Dois fatores levaram a Santa Casa a ‘‘pedir socorro’’. O primeiro, enumera Haddad, é o receio de que o atendimento possa ficar comprometido. ‘‘Para atendermos um doente é preciso ter condições físicas, técnicas e também que o pessoal tenha tranquilidade para isso.’’ O segundo é o custo para se manter o PS aberto.
O superintendente afirma que o pronto-socorro trabalha com um prejuízo mensal de aproximadamente R$ 80 mil. Ele diz que o setor recebe do SUS, em média, cerca de R$ 30 mil por mês. ‘‘Estamos devendo para banco e atrasando pagamento de fornecedores.’’
A cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) só trouxe um alento para a saúde, na avaliação de Haddad. ‘‘O sistema passou a efetuar o pagamento em dia, mais nada. Desde 94 a tabela do SUS não é reajustada. Seria necessário um reajuste de 106% para se chegar ao nível do que era pago em 94.’’
As dificuldades para manter o pronto-socorro aberto também são sentidas pelos outros dois hospitais de porte terciário de Londrina, Evangélico e o Universitário. No hospital Evangélico, são efetuados cerca de 450 atendimentos por plantão, sendo que 50% são considerados não urgentes, como casos de gripe, resfriados ou diarréia.
Segundo o diretor clínico Lauro Vargas Filho, em dezembro, 62% das contas do pronto-socorro foram referentes a consultas médicas sem uso de medicamento, ou seja, foram consultas simples.
No Hospital Universitário são atendidos de 6 a 8 mil pacientes/mês no PS. Também lá, grande parte desse atendimento poderia ser feito em postos de saúde ou hospitais secundários.
‘‘Ocorre com frequência de ficarmos com os corredores lotados, causando transtornos para o atendimento. Temos trabalhado com 60% a 70% acima de nossa capacidade de atendimento. A situação poderia ser amenizada se houvesse maior resolução dos problemas nos setores primários e secundários’’, observa o superintendente do HU, Cláudio Camacho Biazin.
A Folha tentou falar com a diretora-executiva da Autarquia Municipal de Saúde, Regina Gil, que responde interinamente pelo cargo de superintendente, mas ela não foi localizada.

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