Ney de SouzaSem atendimentoTelhas foram colocadas na entrada do pronto-socorro da Santa Casa de Foz, para anunciar fechamento Depois de ameaçar suspender o funcionamento por várias vezes e adiar o último fechamento por 15 dias, a Santa Casa Monsenhor Guilherme, de Foz do Iguaçu - maior hospital do Extremo-Oeste do Paraná - amanheceu ontem com o pronto-socorro fechado e com os internamentos cancelados. O hospital está falido e sem o auxílio da prefeitura, que havia se comprometido em não permitir o fechamento, a direção da Santa Casa decidiu desativar aos poucos todos os setores e demitir 280 funcionários.
‘‘Esperamos 15 dias por uma solução por parte da prefeitura, que não fez nenhuma proposta’’, afirmou o diretor-clínico do hospital, Hélio Avelar. Segundo ele, desde ontem estão suspensos os internamentos e as vagas da Unidade de Terapia Intensiva serão desativadas na medida em que os pacientes tiverem alta.
Ontem, 88 pessoas continuavam internadas. Do total, 80 são pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). O pronto-socorro da Santa Casa atendia cerca de 70 pacientes por dia e realizava aproximadamente 700 internamentos por mês. A decisão de fechar o hospital havia sido tomada no início do mês, pelo Comitê de Transição da Irmandade da Santa Casa. Mas depois de uma reunião com o secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanello, e outras entidades, a direção do hospital deu prazo de 15 dias para que fosse encontrada uma saída.
No início do mês, o secretário de Saúde, Sadi Buzanello, afirmou à Folha que a prefeitura não iria permitir o fechamento do hospital em hipótese alguma. Ontem, a Folha procurou várias vezes o secretário, mas ele não foi encontrado e nem retornou as ligações telefônicas. A Secretaria informou que ele estava reunido com uma comissão para tentar encontrar uma alternativa para o caso.
A dívida da Santa Casa chega a 12 milhões, entre fornecedores e dívidas com a Previdência Social. Segundo a direção do hospital, o estabelecimento necessita de um investimento imediato de R$ 1 milhão para reformas e compra de equipamentos para continuar atendendo. A direção do hospital também informou que a Foztur (órgão oficial de Turismo no município) tem uma dívida de R$ 500 mil com o hospital de um convênio firmado para o atendimento de turistas que visitam a cidade.
A Santa Casa tem uma arrecadação mensal entre R$ 150 mil e R$ 180 mil e despesas que giram em torno de R$ 350 mil. O hospital destinava 75 leitos para o SUS. Com o fechamento, Foz do Iguaçu, que tem 231 mil habitantes, passa a ter apenas 72 leitos disponíveis pelo SUS.

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