Mário CésarAleitamentoAlessandra com o marido e os filhos: ‘Incentivo foi fundamental’O Hospital Evangélico de Londrina comemorou recentemente os dois anos da conquista do título Hospital Amigo da Criança. Concedido pelo Unicef, o título é dado para instituições que cumprem 10 metas para o incentivo ao aleitamento materno e também fazem várias readequações em benefício da mãe e do bebê. A grande meta do HE agora, para continuar mantendo o título, é reduzir o número de cesarianas.
Várias medidas diferenciam o HE de outros hospitais que não possuem o título: as mães que permanecem com os bebês 24 horas por dia no alojamento conjunto; o início do aleitamento materno ocorre na primeira hora após o nascimento; são distribuídas cartilhas e realizados cursos sobre aleitamento materno.
A supervisora de aleitamento materno do HE, Lylian Dalete Soares de Araújo, explica que o trabalho em prol das crianças e mães não termina quando elas deixam o hospital. Para não perder o vínculo com as pacientes, foi criado o Disque-Mama (fone 324-1640, ramal 1235). Através desse fone, as mães esclarecem dúvidas sobre o aleitamento. Segundo Lylian Dalete, o serviço hoje não atende somente as pacientes do HE. ‘‘Muitas mães que não tiveram seus filhos no HE e até profissionais de saúde de outras cidades ligam para cá.’’
Lylian Dalete acredita que, com a conquista do título, o HE se tornou ponto de referência na região e é um incentivo para que as mulheres tenham seus filhos no hospital. Para confirmar, ela observa que em 1994 foram realizados 1.044 partos. No ano passado, o número subiu para 1.746.
O chefe do serviço de neonatologia do HE, José Antonio Carreira Gimenez, afirma que é possível verificar os resultados obtidos após a conquista do títulos nos consultórios médicos. Ele observa que as crianças nascidas no HE são mais saudáveis e tranquilas, e apresentam um desenvolvimento melhor tanto do ponto de vista físico como do emocional.
‘‘As mães também são mais tranquilas, seguras e menos suscetíveis a interferência de leigos no relacionamento com o filho’’, ressalta Gimenez. Na opinião do médico, o título também trouxe benefícios para os profissionais de saúde. Ele explica que, como as crianças apresentam menos problemas e doenças, no consultório o profissional pode exercer uma medicina não curativa, se voltando mais às orientações.
Para que o título seja mantido, o Ministério da Saúde divulgou recentemente cinco exigências que os hospitais precisam cumprir. Quatro das metas já são cumpridas pelo HE: possuir médico habilitado para atender mãe e filho na sala de parto e maternidade; taxa de mortalidade materna, no hospital, menor que 70 para cada 100 mil nascidos vivos; tempo de internamento de 24 horas para pacientes que tenham tido parto normal e 36 horas para as cesarianas; e, finalmente, a maternidade não responder a nenhum processo judicial.
O grande desafio, afirma Lylian Dalete, é reduzir o número de cesarianas. O MS exige que o índice de cesarianas deve ser de 40% para hospitais de risco, que é o caso do HE. Ela informa que, lentamente, o hospital já tem conseguido mudar o quadro - em 1994 (antes da conquista do título), o número de cesarianas correspondia a 69,3%, enquanto que em 1997 o índice caiu para 63,9%.
Lylian Dalete diz que o trabalho de reverter o quadro é difícil principalmente por se tratar de um hábito cultural. ‘‘As mulheres acham que a cesariana traz menos riscos e que vão sentir menos dor’’, observa. ‘‘Infelizmente, a cesariana não é um problema só do HE, mas nacional. O Brasil é o campeão mundial de cesarianas.’’
Para reduzir a porcentagem de cesarianas, Lylian Dalete afirma que é preciso conscientizar tanto as mães quanto os profissionais da saúde sobre a importância dos partos normais. ‘‘Nas cesarianas, o risco de infecção é quatro vezes maior e a perda de sangue é o dobro do que durante o parto normal’’, explica. Na sua opinião, o parto cesária deve ser encarado como uma necessidade e não como opção.
O casal Alessandra Aparecida Antunes Negrello e Alcides Negrello tem dois filhos, que nasceram no HE. O mais velho, Christopher, de dois anos e um mês, nasceu logo após o HE ter conquistado o título Hospital Amigo da Criança. Alessandra Negrello acredita que o incentivo ao aleitamento materno foi fundamental para ela. ‘‘Por ser o primeiro filho, eu não tinha nenhuma experiência e achava que o leite de mãe podia ser fraco.’’
Por ter gostado do tratamento dado ao primeiro filho, o casal optou pelo HE também para o nascimento de Jonathan, hoje com 41 dias. Ela revela ter ficado surpresa com o fato de o HE ter deixado Christopher permanecer no quarto o dia todo. ‘‘Não é qualquer hospital que deixa criança entrar’’, comenta Alessandra.
Há dois meses, a enfermeira Cleide Rafalski resolveu ter a filha Ana Flávia no HE justamente por causa do título que ostenta. ‘‘Ser um Hospital Amigo de Criança me incentivou a vir aqui.’’ Ela destaca, como pontos importantes, o fato de poder ficar com o bebê no mesmo quarto e a presença do marido Carlos Alberto, que a acompanhou o tempo todo. ‘‘Isso cria um vínculo maior entre a gente e também me deu mais segurança.’’

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