Proximidade de festas aumenta mendicância
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sábado, 08 de novembro de 2014
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - A entrada de recursos do 13º salário na economia do município aliada à intensificação do movimento em áreas comerciais do município tende a atrair mais pessoas em situação de rua que solicitam esmolas. Embora não tenha condições de projetar de quanto seria esse aumento, a Secretaria de Assistência Social de Londrina, por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (Sinal Verde), sabe que existe essa tendência para o fim de ano e está reforçando a orientação para que as pessoas não deem esmolas. Segundo a secretária Télcia Lamônica, o londrinense é um povo solidário, mas ao dar esmolas ele acaba dificultando o trabalho da equipe da pasta.
A orientação da Assistência Social não agradou Maria Aparecida da Silva, de 50 anos, que trabalha comercializando doces e complementa a renda pedindo esmolas. "Pedir não é feio. Feio é roubar. A prefeitura não está certa", reclamou.
"Para nós o fim de ano é mais trabalhoso. As pessoas querem participar da vida da cidade e das festas e há um incremento no número de crianças e adolescentes em situação de rua", expôs a secretária. Ela destacou que a equipe não é pequena, possui 39 pessoas, mas como a cidade é grande, as demandas são grandes e crescentes. "Precisamos dividir as equipes em turnos da manhã, tarde, noite, fins de semana e feriados. Já identificamos que precisamos aumentar a equipe e estamos trabalhando nisso."
"A facilidade de obtenção do dinheiro dificulta o acesso a essas pessoas para o encaminhamento adequado. A esmola atende a necessidade imediata delas, mas dificulta que visualizem a sua situação como um todo, na qual poderiam ter acesso a alimentação e pernoite adequados", observa Mariluci Queiroz, coordenadora do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), unidade que integra a Política de Proteção Social Especial do município. Além disso, ela explica muitas vezes esse dinheiro alimenta a dependência do uso de drogas.
Mariluci orienta as pessoas interessadas em ajudar que contribuam com instituições que acolhem essa população.
No dia 12 de dezembro uma equipe da pasta fará a panfletagem com entregas de folders e informativos à população que estiver transitando pelo comércio.
Segundo Mariluci, atualmente a média de atendimento pelo serviço de Abordagem Social é de 260 pessoas por mês e do Centro POP, 290 pessoas. "Muitas são as mesmas pessoas, mas consideramos a média mensal de 290 pessoas atendidas em situação de rua e o município disponibiliza 162 vagas para acolhimento institucional. A rotatividade é grande. Têm pessoas que ora estão em situação de rua, ora em acolhimento."


