Londrina - A entrada de recursos do 13º salário na economia do município aliada à intensificação do movimento em áreas comerciais do município tende a atrair mais pessoas em situação de rua que solicitam esmolas. Embora não tenha condições de projetar de quanto seria esse aumento, a Secretaria de Assistência Social de Londrina, por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (Sinal Verde), sabe que existe essa tendência para o fim de ano e está reforçando a orientação para que as pessoas não deem esmolas. Segundo a secretária Télcia Lamônica, o londrinense é um povo solidário, mas ao dar esmolas ele acaba dificultando o trabalho da equipe da pasta.
A orientação da Assistência Social não agradou Maria Aparecida da Silva, de 50 anos, que trabalha comercializando doces e complementa a renda pedindo esmolas. "Pedir não é feio. Feio é roubar. A prefeitura não está certa", reclamou.
"Para nós o fim de ano é mais trabalhoso. As pessoas querem participar da vida da cidade e das festas e há um incremento no número de crianças e adolescentes em situação de rua", expôs a secretária. Ela destacou que a equipe não é pequena, possui 39 pessoas, mas como a cidade é grande, as demandas são grandes e crescentes. "Precisamos dividir as equipes em turnos da manhã, tarde, noite, fins de semana e feriados. Já identificamos que precisamos aumentar a equipe e estamos trabalhando nisso."
"A facilidade de obtenção do dinheiro dificulta o acesso a essas pessoas para o encaminhamento adequado. A esmola atende a necessidade imediata delas, mas dificulta que visualizem a sua situação como um todo, na qual poderiam ter acesso a alimentação e pernoite adequados", observa Mariluci Queiroz, coordenadora do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), unidade que integra a Política de Proteção Social Especial do município. Além disso, ela explica muitas vezes esse dinheiro alimenta a dependência do uso de drogas.
Mariluci orienta as pessoas interessadas em ajudar que contribuam com instituições que acolhem essa população.

PANFLETAGEM

No dia 12 de dezembro uma equipe da pasta fará a panfletagem com entregas de folders e informativos à população que estiver transitando pelo comércio.
Segundo Mariluci, atualmente a média de atendimento pelo serviço de Abordagem Social é de 260 pessoas por mês e do Centro POP, 290 pessoas. "Muitas são as mesmas pessoas, mas consideramos a média mensal de 290 pessoas atendidas em situação de rua e o município disponibiliza 162 vagas para acolhimento institucional. A rotatividade é grande. Têm pessoas que ora estão em situação de rua, ora em acolhimento."

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