Reza a lenda entre os servidores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que um funcionário morreu depois de ter sido mordido por um macaco-prego. Mas a história não é bem assim. "É verdade que ele teve de ficar meses hospitalizado na época em que foi mordido, porque o local da ferida se infeccionou e o processo de cura foi bastante difícil", lembra o oficial agropecuário da UEL, José Vicentino Neto, que trabalha na instituição desde 1974. Ele conta que o servidor morreu anos depois, por outros motivos. Segundo o oficial, anos depois houve o registro de outro caso de servidor mordido por um macaco-prego. "A pessoa estava com uma banana e fingiu que iria dar um pedaço; o macaco ficou furioso e atacou".
Tamanha proximidade dos macacos-prego com a comunidade universitária fez com que a UEL elaborasse uma ampla campanha educativa, que será lançada este mês, visando a convivência pacífica. O material será veiculado por meio digital e em materiais que deverão ser distribuídos à comunidade universitária.
Segundo o prefeito do campus, Dari Toginho, painéis serão afixados em locais estratégicos e haverá distribuição de panfletos. "Também faremos marcadores de páginas com informações mais objetivas e que possuem um alcance mais rápido", expõe.
Em uma próxima etapa está prevista a instalação de placas informativas ao longo do Calçadão da UEL. "A proposta é divulgar mensagens informando estudantes, professores e servidores de que animais silvestres fazem parte da paisagem do campus e que não podem ser alimentados por eles. Esses macacos circulam também pelos corredores, então orientamos as pessoas a não deixar as portas das salas abertas e sempre tampar os lixos", explica.
Toginho ressalta que os macacos-prego não são animais de estimação. "São animais silvestres. Não se deve tocá-los, não se deve brincar com eles, não se deve oferecer alimentos humanos e tampouco se deve encará-los", orienta.
O material que está sendo produzido informa que o macaco-prego possui alimentação flexível, a base de frutos, insetos, folhas e ovos. Ele acaba preferindo o alimento humano pela facilidade em consegui-los, porém o excesso de açúcar, gordura e sal é prejudicial ao organismo do animal.

OPORTUNISTA
Segundo o prefeito do campus, um grupo grande desses primatas habita o Horto Florestal da instituição, localizado nas proximidades da Fazenda Escola, e se aproxima cada vez mais de salas de aula e das unidades administrativas, como os centros de estudos Cesa e Ceca. "Dificilmente eles vão para a região da reitoria", afirma. Ele aponta que a Fazenda escola possui contato com a área de várzea do Ribeirão Esperança e, por este motivo, em algumas épocas, os macacos não ficam na UEL.
Com tamanho variando entre 35 e 48 cm de comprimento, esses pequenos primatas não aparentam oferecer muito perigo. Os macacos-prego são mamíferos com grande adaptabilidade e são bastante oportunistas. Eles possuem capacidade para viver em ambientes extremamente povoados pelo homem e podem ser encontrados, inclusive, em ambientes altamente industrializados e urbanizados.
Que o diga o ferramenteiro da UEL, João Lima Corrêa. "Os macacos já tomaram as marmitas das mãos de servidores enquanto almoçavam. Eles ficam procurando coisas para comer. Fomos orientados a não dar nada para não acostumá-los, porque eles atacam quando ficam nervosos. Desde então temos evitado comer fora do refeitório", aponta. (leia mais na página 2)

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