Com frio e chuva, o Programa do Voluntariado Paranaense de Londrina (Provopar-Ld) iniciou ontem a Campanha do Agasalho 2016, com o tema "Um sorriso que aquece o coração". Até o próximo dia 9 de julho, o órgão irá arrecadar roupas, calçados e cobertores para serem doados a cerca de 200 entidades que dão assistência a crianças, adultos e idosos.
A Casa do Bom Samaritano é uma das instituições beneficiadas pela campanha. A entidade abriga 72 homens e seis mulheres em situação de rua, sendo 30 moradores fixos e o restante, temporários. Segundo o coordenador geral da casa, Francisco Claudio Moreno, os cobertores são muito necessários porque são itens que precisam ser repostos com frequência, mas o que mais falta são roupas masculinas. "Cada pessoa que chega na casa recebe um kit com calça, camisa, cueca, calçado e itens de higiene pessoal. E como a maioria dos assistidos aqui é homem, precisamos de muitas roupas masculinas."
Uma parte do dinheiro usado na manutenção da Casa do Bom Samaritano vem de convênios com a Secretaria Municipal de Assistência Social e com o governo federal, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os recursos repassados pelos convênios, no entanto, são suficientes para cobrir os custos com folha de pagamento e parte dos alimentos. O restante é obtido com promoções e doações.
Luiz Carlos dos Santos, de 56 anos, vive há dez anos na Casa do Bom Samaritano. Antes, ele morava nas ruas e foi acolhido pelo Programa Sinal Verde, da Prefeitura de Londrina, que o encaminhou à entidade. Luizinho, como é chamado na casa, tem família em Santa Catarina, mas perdeu o contato com os parentes há mais de uma década. Pedreiro e carpinteiro de profissão, deixou de trabalhar por causa de problemas com o álcool. Quando chegou à casa, não levava com ele nenhum pertence. Tudo o que tem hoje é fruto de doações recebidas pela entidade e repassadas a ele. "É bom morar aqui, consegui apoio de todo mundo. São todos meus amigos. Antes eu dormia em um banco, no Calçadão. Agora já faz um ano que parei de beber e quero me aposentar para poder ter uma outra vida", planeja.
Fernando Henrique Ferreira Rosa, de 29 anos, chegou à casa há uma semana e pretende ficar no abrigo apenas temporariamente. Problemas com o crack o afastaram da família e do mercado de trabalho e agora, há três meses livre das drogas, tenta retomar a vida. "Hoje (ontem) eu tenho marcada uma entrevista para emprego. Tenho ensino médio, já trabalhei em call center, já fui auxiliar de produção na indústria e auxiliar financeiro em uma universidade, mas a droga é complicada. Agora que estou livre, quero voltar a ter uma vida. Vim para cá porque já conhecia o lugar. Aqui encontro todo o amparo que preciso."

META
A gerente-administrativa do Provopar, Ana Lúcia Conde, confirma que a maior dificuldade é mesmo conseguir doações de roupas masculinas. "Essas peças são mais difíceis De tudo o que é doado, 40% são roupas masculinas. O que mais vêm são peças femininas", disse ela.
No ano passado, foram arrecadados 145.195 peças de roupas e 3,1 mil cobertores. "A gente sempre pensa em superar, mas se neste ano, com a crise, conseguirmos o mesmo número de doações, vamos entender que alcançamos a meta", ressaltou Ana Lúcia.
Para marcar o início da campanha, estava programada para ontem a ação "Dê um corte no frio", que troca cobertores novos ou usados por cortes de cabelo. A ação, em parceria com o Atelier e Escola de Beleza Lincoln Tramontini, deveria ter acontecido das 9 às 17 horas, no Calçadão, mas foi cancelada por causa da chuva e remarcada para 13 de junho, no mesmo horário, em frente ao Banco do Brasil. No local também serão vendidos vale-cobertores a R$ 15.

SERVIÇO
A Campanha do Agasalho do Provopar segue até 9 de julho e foram instalados postos de coleta em todas as regiões da cidade. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (43) 3324-2397.

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