Provopar cadastra famílias carentes
Lúcio Horta
Cerca de 230 atiradores do Tiro de Guerra de Londrina participaram ontem de manhã de um serviço de cadastramento dos moradores dos jardins João Turquino e Maracanã, dois dos mais carentes da região oeste de Londrina. O trabalho, para traçar um perfil detalhado de cada família, servirá como base para o planejamento de um serviço de assistência social promovido pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Outros bairros pobres das regiões norte, sul e leste de Londrina já passaram pelo cadastramento.
A gente tinha uma noção geral do número de famílias carentes da cidade, mas não com esse detalhamento. Com esse universo, poderemos propor outras formas de atendimento que não sejam somente campanhas, como a Campanha do Agasalho, disse Marilene Ruiz, assistente social da Provopar e coordenadora do trabalho. Segundo ela, até ontem já haviam sido cadastradas cerca de seis mil famílias em Londrina, mas a expectativa é que o número ultrapasse os 12 mil. A intenção é que até o Natal o trabalho esteja concluído, diz.
O cadastramento também servirá de base para a distribuição de cobertores da campanha do Provopar. Já conseguimos a doação de 12 mil cobertores, mas a meta é de pelo menos 20 mil, diz Marilene Ruiz. Ela explica que para algumas famílias, por causa do número de pessoas, um só cobertor não é suficiente.
Aqui venta muito e os cobertores estão todos ruinzinhos, disse ontem o porteiro Augusto Rodrigues dos Santos, 65 anos, que mora no Jardim Maracanã junto com outras quatro pessoas - entre elas, uma filha grávida de oito meses. Ele estava desempregado até a semana passada e a família ainda enfrenta dificuldades até para comprar comida. Agora eu trabalho um dia por semana como folguista. Mas ainda não recebi nada. Se esse pessoal puder ajudar vai ser muito bom para gente.
Silvana Rosicler Pereira, 30 anos, que mora numa casa do Jardim Maracanã com três filhos, também achou o trabalho de recadastramento interessante. A gente tem dois cobertores que são emprestados da minha mãe. Se derem mais para gente vai ajudar muito porque o frio castiga um pouco. Mas, às vezes, tem gente que está pior do que a gente e precisa de mais ajuda, disse.





