Curitiba O provedor da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá (Litoral), Olavo Muniz de Carvalho, aponta a intervenção do governo do Estado como única alternativa para evitar que o hospital feche. A medida, segundo ele, foi aventada em uma reunião, ontem, na Secretaria de Estado da Saúde. O único hospital de Paranaguá que atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ameaçava suspender o atendimento a partir de hoje, por tempo indeterminado, por causa de dificuldades financeiras. A dívida seria de quase R$ 3 milhões.
A possibilidade de intervenção e o pagamento antecipado das Autorizações de Internamento Hospitalar (AIH's), que ultrapassaram o limite permitido pela Secretaria de Estado da Saúde cerca de R$ 160 mil , fizeram o provedor recuar da decisão de fechar as portas. Outro compromisso da secretaria foi o de agilizar a compra de medicamentos. Carvalho disse, no entanto, que a proposta seria discutida em reunião do conselho deliberativo do hospital, na noite de ontem.
O diretor de Sistemas de Saúde da secretaria estadual, Gilberto Martin, disse que a intervenção só seria tomada em último caso. ''É óbvio que não vamos permitir que o hospital feche.'' O governo pretende contornar as dificuldades com uma auditoria nas contas de AIH's represadas e avaliando uma possível ampliação no repasse desses recursos, a partir do levantamento do número de pacientes de outras cidades. Em contrapartida, o hospital terá que fazer uma adequação para se sustentar financeiramente.
A decisão do governo de fixar um teto para o pagamento das AIH's (550 no caso de Paranaguá), segundo a administração do hospital, ajudou a agravar a crise. Mais de 95% do atendimento no hospital são feitos pelo SUS. O valor mensal repassado para os internamentos ficou em R$ 177 mil, mas em uma negociação com a Regional da Saúde, a Santa Casa conseguiu aumentar o valor para R$ 200 mil, insuficiente para fazer frente à demanda média mensal de 750 atendimentos.
A administradora hospitalar, Graziele Lobo, informou que, além dessa verba do SUS, a Santa Casa recebia R$ 120 mil de um convênio com a Prefeitura de Paranaguá para manutenção do pronto-socorro, que teria sido suspenso em março. O déficit mensal nas contas do hospital, segundo ela, é de mais de R$ 127 mil.
A assessoria de imprensa da prefeitura confirmou a suspensão no repasse, mas garantiu que apenas o de abril ficou pendente. O prefeito Mário Roque (sem partido), segundo a assessoria, decidiu reter a verba porque o hospital não presta contas do dinheiro e por causa das ameaças de suspender o atendimento pelo SUS.

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