'Provavelmente não levaria ao médico'
No último sábado de fevereiro, a reportagem da FOLHA acompanhou uma ação do projeto ''Primeiros Olhares'' no Centro de Educação Infantil (CEI) Menino Jesus, na Vila Isabel. Muitas das 40 crianças atendidas passavam pela primeira vez por uma exame preventivo.
Com diagnóstico de hipermetropia e astigmatismo, Gustavo Henrique da Silva, 4 anos, em breve não precisará mais forçar a vista para pintar os trabalhos escolares. ''A iniciativa é boa. Demoraria muito tempo para conseguir uma consulta no posto de saúde. Além do mais, não teria condições de comprar os óculos'', afirma o pai, Rafael Henrique da Silva, recordando que, antes de começar a usar óculos, aos sete anos, sentia-se inferior por não conseguir enxergar direito.
A artesã Edna Martins de Oliveira levou pela primeira vez a filha, Juliana, 3 anos, para realizar um exame de visão. ''Provavelmente não a levaria ao médico apenas para realizar um exame preventivo'', justifica.
Míope, Josias dos Santos Alves, 4 anos, está há algumas semanas sem usar os óculos. A mãe, Jucilene Ribeiro dos Santos, comparaceu ao CEI porque suspeita que o grau tenha aumentado. Após a consulta, a criança saiu com o agendamento de um exame mais aprofundado. ''Antes de usar os óculos, o Josias era chorão e nervoso. Ele já melhorou muito'', conta a mãe.
A coordenadora pedagógica do centro, Inez Cruz de Souza, salienta que a realização dos exames na creche é um momento de aproximação com os pais e uma maneira de demonstrar a preocupação da escola com os alunos. ''Pedimos sempre que as professoras estejam atentas a algumas alterações na criança, tais como se coça ou aperta os olhos, aproxima-se muito do quadro, não consegue definir as cores. A criança com problema de visão perde aquele desembaraço natural e apresenta queda no rendimento escolar. Por isso a importância do diagnóstico precoce'', explica. Dia 27 de março, a equipe estará na CEI São José, no Distrito de Irerê. (C.V.)





