Análises do Laboratório Central do Estado (Lacen) divulgadas ontem comprovaram que o protozoário Cyclospora -encontrado em fezes humanas- tem provocado o surto de diarréia em Antonina, Litoral do Estado, que em 20 dias contaminou 808 pessoas. Para o médico sanitarista da Secretaria Estadual da Saúde, Natal Jataí de Camargo, designado para investigar o surto, não há mais dúvidas de que a fonte de contaminação é a água encanada. No entanto, apesar de secretaria admitir que a hipótese mais provável é de que o problema esteja no produto, ''a confirmação só será possível quando houver um laudo comprovando a suspeita''.
O problema é que apesar de todos os dias estarem surgindo novos casos, o Lacen não possui a metodologia, que é mais sofisticada, para descobrir se o surto está sendo provocado pela água, conforme admitiu ontem a diretora do Lacen, Ana Luiza Conter Borges. Ao contrário do que os próximos técnicos da Saúde divulgavam, ainda não foram enviadas amostras do líquido para laboratórios de referência, como é o caso do Adolpho Lutz, em São Paulo, e Osvaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Os exames que identificaram o agente causador da doença foram feitos em fezes de parte dos contaminados.
''A técnica para colher o material não é simples. Teriam que analisar mil litros de água em lâminas para depois encaminhar o produto para análise técnica. Ainda não sabemos que laboratório possui essa metodologia'', reconheceu o diretor do Centro de Saúde Ambiental, Antonio Carlos Setti.
Na tentativa de comprovar que a água está causando o surto, técnicos da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) continuam entrevistando os contaminados. ''Como trata-se de uma doença 'emergente' (pouco conhecida), também estamos tentando traçar o seu perfil'', disse Camargo. Ele acredita que a contaminação está sendo causada por uma infiltração subterrânea na rede de água, o que não é fácil detectar.

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