Protetor solar falso faz vítimas no Paraná
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Os 22 escritórios da Vigilância Sanitária no Paraná deverão intensificar as fiscalizações nos estabelecimentos que comercializam protetores solares da marca Sundown depois de terem sido encontradas versões falsas dos bloqueadores com fator de proteção solar (FPS) 20,30, 50, Sundown Kids Color FPS 30 e Sundown com repelente. Consumidores de 16 municípios paranaenses já foram vítimas das falsificações, entre eles Londrina e Curitiba.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), protetores falsos já foram encontrados em 103 municípios das regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Os produtos falsificados podem ser encontrados em drogarias, farmácias, bancas de camelôs e em outros tipos de estabecimentos comerciais, como supermercados, por exemplo. Quem comercializa o produto falso pode ser autuado e receber multas que variam de R$ 2 mil R$ 1,5 mil, segundo a Anvisa. ''Falsificar cosméticos é crime hediondo, com pena de dez a 15 anos de reclusão, sem direito a fiança, e mais multa'', esclarece a Agência.
A responsável pela divisão de fiscalização de produtos falsificados da Vigilância Sanitária Estadual, Jussara Ferraro, aponta que o consumidor deve sempre exigir a nota fiscal ao adquirir o produto.
A fabricante original da linha Sundown, a empresa Jonhson & Jonhson, denunciou o caso à Anvisa após ter recebido mais de 200 ligações de consumidores relatando problemas como reações alérgicas e queimaduras. Análise feita pela empresa teria constatado que ''o produto falsificado não possui o princípio ativo capaz de promover a proteção solar''. O dermatologista de Londrina, Hélio Celestino da Silva, não avaliou o produto falsificado mas alerta que as alergias podem se agravar com a exposição ao sol. ''Podem até ocasionar queimaduras de segundo grau e haver necessidade de internação'', avalia. Ele lembra que nenhum protetor oferece 100% de proteção.
No alto verão, o consumo desse tipo de produto aumenta e os falsificadores têm mais chances de conseguir colocar o produto no mercado. A professora de hidroginástica do Grêmio Recreativo Londrinense, Reni Aparecida de Castro, contou que no final do ano uma amiga foi vítima do produto falso, comprado em uma farmácia na praia de Caiobá (PR). ''Ela usou o protetor e ficou sentada embaixo do guarda-sol. Mesmo assim, teve queimaduras.'' A dona de casa Regina Borges Cabrera levou as duas filhas Nathália e Vitória à piscina do clube ontem mas sem se descuidar: ''Eu costumo observar o lacre e sempre compro protetor fator 30''. Ela lembra que na sua adolescência sofreu queimaduras provocadas pelos famosos bronzeadores.
O protetor solar protege a pele dos raios ultravioletas do sol, que são responsáveis pelo envelhecimento, pela redução da imunidade e do aumento das chances de desenvolvimento de câncer de pele. No Brasil, esse tipo de câncer corresponde a cerca de 25% de todos os tumores diagnosticados no país.


