São Paulo - Praia, sol e um bebê todinho vermelho, não por queimaduras do sol, mas por alergia ao protetor solar. Recentemente, a imagem de um bebê australiano com a pele toda irritada viralizou, deixando os pais de cabelo em pé, com medo de viver algo similar.

"Esse é meu filho de três meses. Ele não ficou exposto ao sol, ele simplesmente estava fora de casa, então, por garantia, resolvi passar protetor solar nele. Não comprem esse protetor solar", dizia a postagem de Jessie Swan, mãe do garoto, que ficou internado por três dias. O produto, no caso, era o protetor solar Peppa Pig, FPS 50, da Cancer Council Australia. A empresa afirmou à reportagem que é "importante que os consumidores usem o produto de acordo com as indicações no rótulo".

Protetores solares não são indicados para crianças com menos de seis meses de idade, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia. O uso nessa faixa etária só é recomendado quando orientado por dermatologistas em situações excepcionais.
"Pele de bebê, abaixo dos seis meses, é muito mais fina que a pele do adulto e absorve mais substância. Por isso só podemos aplicar produtos destinados a recém-nascidos na pele deles", diz a presidente do departamento científico de dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Vânia Oliveira de Carvalho.

Imagem ilustrativa da imagem Protetor solar em bebês só após os seis meses



Além disso, segundo Elisabeth Lima Barbosa, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, por causa de uma formação imunológica inicial, os bebês têm uma facilidade muito grande de desenvolver alergias.

A alternativa são as barreiras físicas, como roupinhas com fotoproteção (que, segundo especialistas, funcionam, mas é recomendável não expor o bebê diretamente no sol), bonés, carrinhos com abas. Mais tarde, o bebê pode usar diferentes tipos de protetores: entre seis meses e os dois anos, protetores "baby"; após os dois anos, filtros infantis.

Quando a secretária Kelly Cardoso, 21, decidiu ir à praia neste ano, como faz todo mês de janeiro, buscou aconselhamento com a pediatra de seu filho Nicolas, 5 meses. "Fiquei muito apavorada com essa história da alergia, nunca imaginei que um protetor poderia causar aquilo", afirma. "A pediatra disse: 'você vai ter que ficar mais tempo na casa do que na praia", diz Kelly. "Ela me orientou a ficar pouquinho com ele na praia, sempre na parte da manhã e no fim da tarde. E também pediu para evitar levá-lo para a praia ao meio-dia."

Vânia diz que não vale o risco de expor o bebê. "Seis meses passam rápido." As especialistas ouvidas e o Consenso Brasileiro de Fotoproteção também alertam que não se deve expor bebês diretamente ao sol. Isso quer dizer que os famosos banhos de sol não são necessários nos primeiros seis meses. "Mesmo que você não faça [expor] deliberadamente, ele vai acabar recebendo o sol necessário para produção de vitamina D", afirma Vânia. Segundo ela, os raios solares recebidos pela criança nos passeios do dia a dia são suficientes.

Além disso, a especialista do SBD diz que a reposição da vitamina D, se necessária, pode ser feita por via oral, evitando riscos desnecessários ao bebê.
Mesmo com todos esses cuidados, alguns pais ainda testam o produto em pequenas áreas do corpo do bebê menor de seis meses para evitar uma alergia. Mas isso não garante a segurança da criança. "Às vezes há alergias após vários usos. Não vale o risco", afirma.

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